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Por Cris Reda
crisreda@liberte.tur.br
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Só
um lado da moeda?
Tudo bem, pessoal? Espero que sim!
E aí, contagem regressiva para a Copa do Mundo?
Pois é, hoje gostaria de começar o nosso papo por este ponto.
Calma, não se assustem, pois não vou questionar a escalação
do time nem as táticas do técnico...
O que gostaria de indagar é por que apenas nesta época todos
deixam aflorar seu lado patriótico? Não mais que de repente,vemos
um estouro de músicas,confetes,hino nacionale um sem-fim de objetos
em verde e amarelo...
Claro,nem de longe refuto a idéia de torcermos de coração
pelo nosso país num campeonato mundial,mas...só assim para
acreditarmos no Brasil?
Ou nosso grande desafio é manter um mínimo de crédito
e de esperança,mesmo em meio a tantas CPIs,corrupções,violência?...É
continuar acreditando e jogando,mesmo com todos esses “gols contra”...
Nosso querido filósofo e psicanalista Rubem Alves, já dizia
que otimismo e esperança são dois sentimentos distintos:
somos otimistas em meio a um contexto sem tantas dificuldades,mas temos
esperança quando acreditamos poder sair de uma grande turbulência...
Pois é, é nesse sentido que falta muita esperança
a nós brasileiros. E não uma esperança abstrata,
passiva, mas aquela que nos faz questionar, arregaçar as mangas,
fazer nossa parte, trabalhar, cuidar melhor de nossas crianças,
não jogar lixo na rua, enfim, ver que a importância do lugar
em que vivemos e que é feito por nós está além
de pontos e títulos. São os DOIS lados da moeda.
E, indo mais à frente nesse assunto, um outro exemplo que gostaria
de comentar foi o ocorrido com um conhecido meu, proprietário de
uma bela pousada na famosa cidade de Campos do Jordão, que, ao
abrir as portas de seu estabelecimento também ao público
gay (tornando-se assim gay-friendly), vem sendo boicotado veladamente
por outros hoteleiros da região por este motivo...
Agora eu pergunto se a grande hipocrisia desses empresários não
lhes deixa ver que eles devem ter hospedado muitas pessoas homossexuais
sem necessariamente saberem disso? E que tais pessoas são respeitadas
enquanto clientes e consumidores até o ponto em que revelam sua
orientação sexual ao, por exemplo, pedirem um quarto com
cama de casal?
Ou seja, uma pessoa de orientação sexual distinta dos héteros
só é respeitada quando gasta seu dinheiro em alguma coisa?
Ela pode ser consumidora, mas não pode ser cidadã? Pode
pagar seus impostos ou a diária de um hotel, mas não pode
se casar e ter seus direitos?
São novamente os DOIS lados da moeda e o meu convite é para
todos nós refletirmos sobre ambos.
Beijos verdes, amarelos e arco-íris
P.S. Mandem seus e-mails com dúvidas, comentários e sugestões.
Estou aguardando!
* Cris Reda atende na rua Padre Vieira, 422 - Centro - Fone: 19 3232-0416.
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