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DIVÃ

Por Cris Reda
crisreda@liberte.tur.br

Jardim Secreto

Sejamos novamente bem-vindos ao nosso divã, do qual havíamos levantando no final do ano passado e para o qual ainda não tínhamos retornado.
Senti muita falta deste divã e com certeza vocês também.
Mas, por outro lado, foi uma ausência "presente" e "necessária" e que agora vou compartilhar com vocês, pois, a meu ver tudo que é sinônimo de crescimento só tem sentido quando é dividido.
Tantos temas passaram por minha cabeça e meu coração para inaugurarmos este nosso reinício, mas nenhum pareceu tão consistente quanto este "jardim secreto".

Vocês já ouviram falar sobre ele? Ou já o sentiram? Ou já o visitaram? Ou já o negaram? Seja o que for, todos, sem exceção, temos em nós um jardim particular, cheio de sementes de sonhos esquecidos, flores ressecadas de sentimentos, balanços de alegria quebrados, matos que ocultam a essência da terra... Ao mesmo tempo é um jardim repleto de cores, portas, frescor e esperança que só estão esperando para serem vistos e revividos.

Num mundo onde somos praticamente impelidos a enxergar o externo, a ceder às pressões e contingências que nos cercam a buscar comparações e referências fora de nós o tempo todo, acabamos povoando de teias de aranha e poeira esse nosso secreto e interno jardim.

Noutro dia, ao participar de uma palestra de uma colega psicóloga, ouvi dela uma frase paradoxalmente inesquecível: "Hoje, com a velocidade das informações, cultivamos uma cultura do esquecimento e não da memória". Ou seja, ignoramos nossos jardins internos e perenes em detrimento da obrigatoriedade de corresponder a tudo que é exigido de nós aqui fora.

Logicamente não estou com isso pregando um comportamento "autista", de ignorar completamente o mundo em que vivemos, mas sim de recarregarmos e renovarmos nossas energias de sentimento, ideais, esperança e inteligência neste nosso jardim que só nós conhecemos e que, por muitas vezes, deixamos de cuidar.
Especialmente quando lidamos o tempo todo com pessoas e emoções, chega um momento quem que sentimos um "vácuo" de idéias e palavras, como se "a fonte tivesse secado". Aí então é o momento certo de tirarmos nossos sapatos de convenções e pisarmos na terra molhada de "ser eu mesmo", brincarmos novamente feito crianças, rirmos de espontaneidade e cheirarmos novamente o perfume tão doce da esperança. Isso tudo nosso jardim secreto nos oferece e é capaz de "curar" nossas enfermidades do corpo e da alma, como bem nos mostra o filme de mesmo título (Jardim Secreto) que vale a pena ver!

Assim, retornando mais renovada dessa visita a mim mesma em meu "jardim secreto", para o qual sempre temos que visitar, convido com carinho a cada um de vocês a fazer o mesmo! Como já dizia nosso sábio Carl Gustav Jung, "quando fechamos os olhos não nos cegamos, mas enxergamos como as coisas realmente são".

 

* Cris Reda é psicóloga



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