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DIVÃ Por Margarete
Godoy
Sou ou não
sou lésbica? Não é a primeira vez que pe;o ajuda virtual..., mas das outras vezes não obtive respostas..., mas para você é a primeira, por isso tenho esperança. Tenho 19 anos, e esta semana falei pra minha melhor amiga que sou afim dela, (mas ela é hetero... e não sei se sou homo!) Aiii... sempre tive amizades femininas íntimas (sem nenhum relacionamento sexual)..., e aos 14 anos por ser grudadaà uma amiga, fomos rotuladas de lésbicas pelo colégio todo... sofri um bocado, pq na época nem pensava nisso. Porém a afronta me deixou irritada e comecei a ficar com alguns garotos, só para me afirmar... porém nunca senti nada por tais garotos. Esta ta sendo uma questão difícil pra mim e minha psicóloga... essa semana na terapia que revelei isso a ela... e ela disse pra eu ficar calma, que é para eu esperar as conseqüências do que disse para minha amiga, assim como fui corajosa pra falar, tenho que ser forte para suportar as conseqüências... Mas, ta meio complicado... tenho namorado, não sei o que fazer, estou em um período, que estou começando a aceitar minha homossexualidade, mas a dúvida que minha terapeuta quer sanar é se eu sou realmente ou se sofri influências do meio... ta difícil, to sofrendo pela rejeição de minha amiga, agora estamos distantes... e amo ela... e ainda tem meus pais... família... amigos. Às vezes... me camuflo hetero por ser mais fácil não sofrer. Resposta Olá. Realmente, você está numa situação confusa, pois ao mesmo tempo que diz não saber se é “homo”, também diz estar começando a aceitar sua homossexualidade. Até mesmo pela sua idade, na qual o “auto-conhecimento” se faz constante, aliás, em qualquer idade ela ocorre, mas principalmente no período da adolescência para a fase adulta, que é o seu caso, os questionamentos se intensificam e logo se quer saber quem é, o que quer, e para onde vai, e sempre acompanhada da tal ansiedade, que nesses casos, mais atrapalha do que ajuda, pois colabora para que as coisas não ocorram naturalmente, sempre querendo estar à frente dos resultados, sem preservar o chamado tempo, aliás, a ansiedade é terminantemente contra o tempo; sim, reconheço ter também seu lado positivo, impulsiona, dá coragem, desde que saiba onde se está pisando. Enfim... Você está tão ansiosa, que acaba se camuflando para o mundo ao seu redor, plantando mais dúvidas, além das já existentes, te causando, além do sofrimento mais atual, o afastamento de sua amiga, uma forte convicção de que as outras pessoas é que vão te trazer soluções. Tanto é que você está namorando um rapaz, para que ele te traga a reposta que tanto espera: Sou homossexual ou não? O período que você está passando, de descobrimentos, auto-conhecimento, é um período delicado, onde surgem apenas perguntas sem respostas, pressões de todos os lados, e você querendo logo saber onde tudo isso vai dar, o que tudo isso significa. Eu diria que essa é uma fase na qual você poderia fazer algumas reflexões, questionar-se, antes de ficar tomando atitudes e se arrepender mais tarde. Aliás, seu e-mail não ficou muito claro com relação às suas experiências sexuais, então, eu te farei algumas questões, até mesmo para que você reflita e tenha algumas respostas: Você já se relacionou com alguma mulher? Já beijou? Já fez amor? Já tocou e foi tocada? E com algum garoto, você já se relacionou sexualmente com algum? Foi satisfatório para você? Você diz estar aceitando sua homossexualidade, mas como é essa aceitação, se você não mencionou nenhuma experiência anterior com alguma mulher? Você sente tesão pelo atual namorado? Como é estar namorando esse garoto, pensando na amiga? Caso já tenha passado pelas duas experiências, reflita sobre os seus sentimentos. Por exemplo, quando diz não sentir nada pelos garotos, sentimento este, que surge inicialmente, caso a experiência não tenha sido satisfatória para você, mesmo porque, os garotos em sua maioria, estão iniciando sua vida sexual, e acabam satisfazendo a si próprio e não à parceira, até mesmo muitos homens já experientes agem dessa forma, ou mesmo não tendo sido assim, se o parceiro foi atencioso, carinhoso, mesmo assim, você sentiu o quê? Nada? . E também quando disse ter tido amizades femininas íntimas; esse tipo de relação com as amigas mais próximas, é natural, até mesmo por uma questão de identidade, troca de informações e auto-conhecimento, que é mais intenso entre as meninas do que entre os meninos, e amar uma amiga, também é natural, assim como amar um amigo. Qualquer tipo de relacionamento com o outro, seja familiar, social, sexual, ensina como lidar consigo, como se conhecer, e pense: Não seria mais interessante para você nesse momento, prestar mais atenção em como se relaciona com o mundo à sua volta para aprender a se conhecer e saber melhor de si? Questões difíceis sempre vão surgir na vida de todos, muitas delas à princípio sem soluções, mas se você não se arrisca, você não aprende, você não se conhece. É um ciclo que inicia, se completa, e termina, para então iniciar outro, e assim sucessivamente. Para finalizar, concordo com você sim, quando diz ser mais fácil ser hetero, pois na Sociedade atual, é o tipo de relacionamento mais conhecido e mais aceito; mas também acredito na evolução humana, e nela incluo o aceitar o relacionamento amoroso sadio, também entre iguais. As mudanças estão ocorrendo diariamente. É um trabalho de formiguinha. Mas o que você quer? Aprender? Conhecer-se? Satisfazer a si ou somente ao Outro? Um abraço.
* Margarete Godoy
Agostinho - Psicóloga clínica e de prevenção,
com experiência em Análise Transacional e Terapia Comportamental,
voltados ao atendimento gls.
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