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DIVÃ

Por Cris Reda
crisreda@cristianereda.psc.br

What´s in a kiss?

Traduzindo: o que há num beijo?
Pois bem, pessoal, é com um enorme beijo a todos que retomamos nosso divã em 2007 com um breve estalo “flash back” : quem não se lembra desta melosa música (What´s in a Kiss), que tanto embalou nossa adolescência anos 80?

Pois é ela que vai embalar nossa conversa de hoje, esta, sim, sobre um assunto bem recente. Por isso, coloque-a pra tocar em seu aparelho de som ou – caso não a tenha- em suas notas mentais, que essas gravam tudo!
Gostaria de comentar com vocês sobre um dado que o site LOVEFILM.COM nos trouxe: o beijo entre os atores Heath Ledger e Jake Gyllenhaal em “O Segredo de Brokeback Mountain” foi eleito pelos internautas como o melhor do cinema dos últimos tempos, acima até de “Bonequinha de Luxo”, com Audrey Hepburn.

É claro que a profunda beleza das cenas de amor entre Ennis Delmar e Jack Twist em Brokeback são redundantemente elogiadas por nossos casais de meninos e nossos pares de meninas.Até aí, sem mistério... Mas o que o site mostrou é o consenso geral, eleito por várias praias e tribos!

E isto, então, nos convida a refletir: o que há neste beijo? O que o faz o melhor e o mais lindo? O que o faz o mais evidente, o mais tocante? Provavelmente não é apenas a técnica ou a ótima performance dos atores...O que então há por detrás deste beijo que atingiu em cheio a tantas pessoas, driblando até mesmo prováveis preconceitos?
Neste ponto, lembro-me de como o diretor Ang Lee classificou seu filme: é uma história de amor. Em suma, é assim que o beijo entre as personagens Ennis e Jack ecoa em nós: AMOR.

Um amor corajoso, conturbado, saudoso, que sobrevive a conflitos, preconceitos, tempo e espaço e que vem , desesperado, num beijo sedento do agora, do presente, do deixar-se levar e fluir. Um beijo que não é causa, mas conseqüência desse amor aflito de acontecer, de se concretizar. Um beijo que vem coroar uma desenfreada busca de si mesmo e do outro, da sizígia, da fusão. Um beijo que mistura encontro e despedida, o efêmero e o eterno, o voraz e o doce, o medo e a coragem. Um beijo que simplesmente é, acontece, sem maiores expectativas, a não ser do aqui e do agora. Lembro-me da canção do Toni Garrido “ Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui...”

Um beijo, acima de tudo, que vem confrontar hipocrisias, aparências, contingências sociais, clichês do que é “felicidade”. Um beijo fraterno, amigo, amante. Um beijo verdadeiro, cristalino, sem rodeios. Um beijo de lágrimas, tesão e sorrisos.
Enfim...um beijo de amor. Difícil de se ver e de se viver, hoje em dia, seja entre homens, mulheres, ambos, pais, filhos, amigos, enamorados,irmãos...

Ele mostra um ato de amor, aparentemente simples e corriqueiro, que vem se sobrepor às cenas reais e rotineiras de guerras, violência, miséria e descaso com a humanidade e seu planeta. Ele vem quebrar o gelo, afrieza e a indiferença de muitas de nossas relações. Ele nos traz de volta à nossa condição de gente de carne, ossos e coração..
Assim beijos como o de Ennis e Jack poderiam não apenas ser homossexuais, mas, sim, UNIVERSAIS!

A KISS DA CRIS

OBS: Estou sentindo falta das perguntas de vocês, me enviem no meu novo e-mail crisreda@cristianereda.psc.br

* Cris Reda é psicóloga



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