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DIVÃ
Por Margarete
Godoy
Medo de assumir romance Bom dia, Me chamo Márcia e estou com um grande problema... O caso é que tenho 37 anos e "namoro" uma garota de 29, isso já faz 5 anos, mais não consigo assumir esse romance, pois já tive muitos relacionamentos heteros, inclusive tenho uma filha de 16 anos. Antes eu dizia pra garota que não assumia por causa da minha filha, mas depois que minha filha soube do caso e demonstrou aceitar numa boa; agora não sei o que fazer pois continuo não querendo assumir... Ela me cobra muito e diz que eu já deveria saber o que quero, visto que já tive muitos relacionamentos. Me sinto muito mal, pois as vezes ainda sinto atraçaõ por homens, mais só consigui até , ter orgasmo com ela e tb sinto atraçaõ por mulheres!!! Não sei o que fazer, me ajudem, pois isso está afetando muito minha vida. Má Desesperada
Resposta
Bem, você menciona estar com um grande problema, então vamos fazer o seguinte, vou lançar algumas questões para que você reflita melhor sobre ele, a fim de identificá-lo melhor. Seu problema está em assumir seu romance perante sua filha (mesmo que ela já tenha conhecimento) e respectivamente às demais pessoas à sua volta? Assumir a você, que, mesmo tendo se relacionado com outros homens, só consegue ter prazer com sua atual namorada? Uma mulher? Assumir que está sendo cobrada a tomar uma atitude, e que essa atitude poderá definir melhor sua vida e de sua parceira? Ou apenas, assumir que não gosta de cobranças? Assumir a você, uma possível bissexualidade? Assumir que nesse momento de sua vida, não quer ter relacionamentos sérios, apenas passageiros, seja com homem ou mulher, mas ao mesmo tempo, não quer perder essa mulher, que é a única pessoa que te deu prazer até hoje?
Enfim, eu poderia ainda, citar outros tópicos para que você perceba, até que ponto há um problema real, na qual a resolução não dependa apenas de você, e que proporção toma em sua vida, ou ainda, ser uma questão pessoal, de você com você mesma. Na verdade, não ficou claro que tipo de dificuldade é essa, que tanto afeta sua vida.
Por exemplo, quando diz estar mal por sentir atração por mulheres e homens, mesmo que esteja namorando, Essas atrações são passageiras, daquelas do tipo, olhou, achou bonito(a), pensou alguma fantasia, mas já passou, foi embora? Sim, porque mesmo quando se está namorando, casado, enfim, é absolutamente normal e aceitável, admirar outra pessoa, é natural do Ser Humano, é instintivo, porém, essa admiração não vem acompanhada de emoção, como por exemplo, o amor que se sente um pelo outro; apenas se olha, admira e pronto, já passou. No relacionamento maduro, sério, não vai passar de um olhadela. Agora, se for além, provavelmente, ou o amor já não existe mais, ou mesmo existindo, possa ser que a afinidade sexual não esteja satisfatória, então nesse caso, seria interessante, o casal conversar, chegar numa resolução compatível, já que o amor está presente. Mas não parece ser esse o seu caso, pois orgasmo há, presume-se que o sexo esteja benéfico, mas ela também sente prazer assim como você? Cobrança, é outro fator que incomoda muitas pessoas a ponto de afetar quase todos os aspectos da vida, amoroso, pessoal, familiar, até mesmo financeiro. Outras, porém, só vivem se forem extremamente cobradas, enfim, pense nisso. A obrigação existe sim, as responsabilidades idem, entretanto, cada um tem seus limites e sabe, pelo menos espera-se, que saibam até onde eles vão. Há outra questão. Você mencionou que sua filha soube do seu relacionamento, mas como foi isso? Você falou à ela e então conversaram à respeito? Ela descobriu por acaso, sozinha ou através de outras pessoas? Apesar dela ter aceitado “numa boa”, esse é um detalhe a se pensar, pois é sua filha, e a conversa sempre foi e será a base em qualquer tipo de relacionamento, inclusive, por que não dizer, principalmente a familiar, independentemente da idade que ela tenha; portanto, você dividiu ou divide com ela, essas questões, mesmo que pareçam ser somente suas? Ela pode também te ajudar a resolvê-los, e se não for o caso, pelo menos, a confiança e a união entre vocês, irá se solidificar ainda mais, e você terá um apoio maior, terá maior poder de enfrentamento diante desse e de outros problemas corriqueiros, diários. E não vou citar apenas sua filha, mas também os amigos, que estão ao seu lado, que podem te escutar, te auxiliar em muitos momentos. São os laços de amor entre mãe-filha, amigo-amigo, enfim, até mesmo, se estiver encontrando dificuldades para falar com pessoas conhecidas, procure apoio profissional; só irá te fazer bem, não tenha dúvidas disso. Espero ter colaborado contigo, e agradeço seu e-mail. Um abraço.
* Margarete Godoy Agostinho, psicóloga clínica e de prevenção, com experiência em Análise Transacional e Terapia Comportamental, voltados ao atendimento gls, e especialista em Psicologia Hospitalar. * Todo material poderá
ser copiado na íntegra ou em parte, desde que a fonte seja devidamente
mencionada.
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