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DIVÃ

Por Margarete Godoy
atendimentogls@hotmail.com

Assinale a alternativa correta

Quem já se perdeu procurando algum endereço, entrou na rua errada, pediu informações, deu uma volta enorme, mas, ufa, chegou afinal? São caminhos que se percorrem, contramão que se pega, mas às vezes é assim mesmo. Imaginem que há uma certa semelhança com os momentos, com os erros e acertos que ocorrem na vida de cada um.

Sim, e qualquer semelhança pode ser mesmo uma mera coincidência, ou será que Ang Lee tem um tal poder oriental de adivinhar os caminhos que se percorrem, os caminhos que são procurados, encontrados ou não?
Será que Brokeback foi apenas mais um filme que relatou os problemas que um casal gay enfrenta perante a Sociedade ou como Arnaldo Jabor refletiu, como sendo um filme que mostra discaradamente a fome que nos move, e eu acrescento, a fome que congela o mais profundo e caloroso de todos os corações, a fome de amar.
Você assistiu ao filme? Então, diga agora, em uma só palavra, qual o sentimento que traduz para você, a narrativa de Ang Lee?

De todos os filmes, lhes digo, Brokeback Montain, foi e está sendo o mais comentado em meu consultório. Dono de uma história sem complexidades aparentes, de poucos personagens e um texto sem grandes emaranhados, porém, repletos de segredos, deles, seus, nossos. Quanta simplicidade, quanta sabedoria, quanta intimidade. Tinha-se até a impressão, que todos ali no cinema, estavam sendo descobertos, estavam sendo decodificados. Não se ouvia um pio, literalmente.
Os personagens mostraram como as escolhas feitas por cada um, seja gay ou não, são responsabilidades também de cada um, e não do outro, são caminhos que só você percorre. Vejamos.

O primeiro, que ama, segue seus instintos, a princípio, apenas sexuais, mas que logo em seguida, transforma-se em paixão, em amor que impulsiona, que faz seu sangue pulsar, seu coração transbordar, mas que com o passar dos anos, de tanto dar, de tanto não ter, de tanto ter apenas o “pouco ou quase nada, morre de fome como uma planta esturricada ao relento, como algo murcho, oco, sem ar.

O segundo, que ama, também segue seus instintos primários, movido pela paixão, que o faz cometer loucuras atrás da porta, na penumbra da floresta, sob a lona da barraca; sempre procurando esconder do mundo, e o pior, de si mesmo, o amor, que pela primeira e única vez consegue sentir, e que também o movia, o fazia viver, o fazia sorrir, o fazia vibrar, mas que também o fazia, se afogar, se asfixiar, se sufocar de tanto amor que não sabia dar, que não sabia compartilhar, que não sabia demonstrar na sua forma mais simples e legítima. E que por isso, morre como um balão que se explode de tanto ar, de tão sem espaço para expandir-se.

Percebam, como cada um escolheu seu caminho, sua contramão, seu caminho só. Interessante como os personagens conseguiram traduzir de forma tão simplista, o que mais vem acontecendo com o íntimo da maior parte das pessoas, com os segredos que se teimam em ser guardados ao invés de compartilhados, os sentidos de mão única que teimam em ser alimentados.

Perder-se, faz sim parte e deve fazer, mas a consciência o faz achar o caminho de volta, de volta para você mesmo. Então, pense, qual será sua alternativa correta?

Um abraço e boa escolha!

 

*Margarete Godoy Agostinho, psicóloga clínica e de prevenção, com experiência em Análise Transacional, Comportamental e Bioenergética, voltados ao atendimento GLS.

* Todo material poderá ser copiado na íntegra ou em parte, desde que a fonte seja devidamente mencionada.


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