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DIVÃ
Por
Margarete Godoy
Assinale a alternativa correta Quem já se perdeu procurando algum endereço, entrou na rua errada, pediu informações, deu uma volta enorme, mas, ufa, chegou afinal? São caminhos que se percorrem, contramão que se pega, mas às vezes é assim mesmo. Imaginem que há uma certa semelhança com os momentos, com os erros e acertos que ocorrem na vida de cada um. Sim, e qualquer
semelhança pode ser mesmo uma mera coincidência, ou será
que Ang Lee tem um tal poder oriental de adivinhar os caminhos que se
percorrem, os caminhos que são procurados, encontrados ou não?
De todos os filmes,
lhes digo, Brokeback Montain, foi e está sendo o mais comentado
em meu consultório. Dono de uma história sem complexidades
aparentes, de poucos personagens e um texto sem grandes emaranhados,
porém, repletos de segredos, deles, seus, nossos. Quanta simplicidade,
quanta sabedoria, quanta intimidade. Tinha-se até a impressão,
que todos ali no cinema, estavam sendo descobertos, estavam sendo decodificados.
Não se ouvia um pio, literalmente. O primeiro, que ama, segue seus instintos, a princípio, apenas sexuais, mas que logo em seguida, transforma-se em paixão, em amor que impulsiona, que faz seu sangue pulsar, seu coração transbordar, mas que com o passar dos anos, de tanto dar, de tanto não ter, de tanto ter apenas o “pouco ou quase nada, morre de fome como uma planta esturricada ao relento, como algo murcho, oco, sem ar. O segundo, que ama, também segue seus instintos primários, movido pela paixão, que o faz cometer loucuras atrás da porta, na penumbra da floresta, sob a lona da barraca; sempre procurando esconder do mundo, e o pior, de si mesmo, o amor, que pela primeira e única vez consegue sentir, e que também o movia, o fazia viver, o fazia sorrir, o fazia vibrar, mas que também o fazia, se afogar, se asfixiar, se sufocar de tanto amor que não sabia dar, que não sabia compartilhar, que não sabia demonstrar na sua forma mais simples e legítima. E que por isso, morre como um balão que se explode de tanto ar, de tão sem espaço para expandir-se. Percebam, como cada um escolheu seu caminho, sua contramão, seu caminho só. Interessante como os personagens conseguiram traduzir de forma tão simplista, o que mais vem acontecendo com o íntimo da maior parte das pessoas, com os segredos que se teimam em ser guardados ao invés de compartilhados, os sentidos de mão única que teimam em ser alimentados. Perder-se, faz sim parte e deve fazer, mas a consciência o faz achar o caminho de volta, de volta para você mesmo. Então, pense, qual será sua alternativa correta? Um abraço e boa escolha!
*Margarete Godoy Agostinho, psicóloga clínica e de prevenção, com experiência em Análise Transacional, Comportamental e Bioenergética, voltados ao atendimento GLS. * Todo material
poderá ser copiado na íntegra ou em parte, desde que a
fonte seja devidamente mencionada.
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