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DIVÃ Por
Cris Reda
Quando
tudo não é o bastante Tudo
bem,pessoal? Estamos aqui de volta,desta vez refletindo um pouco sobre
este e-mail que recebi e que com certeza expressa uma angústia
de muitos de nós. Tudo bem, não se trata de desvalorizar os avanços tecnológicos e a globalização. Mas, por outro lado, temos também que admitir que toda essa velocidade máxima com que aprendemos e esquecemos sucessivamente nos faz conhecermos as coisas na superficialidade, já que dificilmente teremos tempo para vivenciá-las mais intensamente. Quantos
clientes no consultório se queixam de que o dia deveria ter mais
horas ou o mês mais dias para eles poderem correr, correr, correr...
atrás do quê mesmo?? Contudo isto não significa que todos deixamos de acalentar o mesmo desejo expressado no e-mail – o de encontrarmos nossa “cara metade”. Mas...como a encontrarmos se desconhecemos a nós mesmos?Como saber quem desejamos se muitas vezes não sabemos direito quem somos? Queremos amar alguém mas não amamos muitas vezes a nós mesmos pelo motivo básico de que não nos conhecemos em profundidade, acabamos nos relacionando superficialmente também conosco mesmos. Daí então vamos procurando, ficando, indo atrás, ficando de novo...não se sabe direito com quem. Além disso há um outro ponto negativo nesta “vida louca vida” (licença ao Cazuza) que levamos. Além do esquecimento, ela nos exige também a perfeição.Temos que ser homens perfeitos, mulheres indefectíveis, pais e filhos imaculados e em tempo recorde!! Vence quem chegar primeiro – e de preferência sem transpirar... Assim idealizamos ao outro e a nós mesmos e, como ninguém ou nada é perfeito, nunca nos realizamos plenamente, exigindo um outro idealizado que nunca chega...Ou então em nossa indignada imperfeição não nos consideramos merecedores, ainda que inconscientemente, a vivermos um relacionamento com dificuldades mas feliz e profundo...Não, antes que o outro se decepcione comigo eu já coloco um ponto final antes. E continuo ficando,ficando... Não digo que o ficar deixe de ser uma etapa importante da exploração e da descoberta do outro, contanto que isto não seja permanente... Lembro aqui de um texto lindo da Marina Colasanti chamado .Eu sei mas não devia” onde, dentre outras coisas, ela diz que “a gente se acostuma a não sair, a fechar as cortinas e acender a luz, a pagar mais do que as coisas valem...”,enfim, a tantas coisas através das quais nos escondemos, nos defendemos, nos poupamos e assim, de tanto nos acostumarmos, acabamos nos perdendo de nós mesmos... Permitindo-me um adendo a estas palavras da Marina, digo que nos acostumamos a sempre ir atrás do amor e da felicidade sem encontrá-los pelo simples fato de que os vemos como ponto de chegada e não como caminho. De que temos direito, ao longo desse caminho, a vários amores e felicidades, no aqui e no agora. Mais ou menos como, em meio a um enorme pomar, eu escolher uma jabuticabeira, subir nela e degustar os frutos sem pressa, sentindo-lhes o verdadeiro sabor, deixando o sumo escorrer e lambuzar tudo. Assim, se não puder conhecer todas as frutas do pomar, ao menos a jabuticaba eu conheci, vivenciei, desfrutei. Então, corações ansiosos, lembrem-se de que o melhor momento, o maior amor e a mais bela felicidade da sua vida é o AQUI, o AGORA, o MOMENTO PRESENTE. O que passou já foi e o futuro ainda não chegou. Assim, CARPE DIEM, desfrutem o momento presente para depois não ficar com o saudoso gostinho de querer mais o que não se viveu direito! Beijos da Cris OBS:
Quem quiser o texto da Marina Colasanti na íntegra me escreva
e envio por e-mail. Ah! E o título desta coluna é de um
lindo livro, só não lembro o autor. Cris
Reda é psicóloga clínica há 15 anos na abordagem
junguiana e atende também ao público homossexual (individual,
casal e grupos).
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