Aids
 Busca
 Contato
 Dicionário
 Enquetes
 Especiais
 Galeria
 Notícias
 Orkut
 Podcast
 Publicidade
 Quem faz
 Eduardo Gregori
 GLBT XYZ
 César Machia
 Comedere
 Jovens
 Na Língua do Ju
 Memórias de Adão
 Mondo Moda
 Toca de Urso
 TransItália
 Xou do Gongo
 Divã
 Fashionista
 Mr. DJ
 Persona
 Salada Mix
 Cosmo On Line
 CR GLTTB
 Sites GLBT
 Agenda
 Bares
 Boates
 Grupos
 Saunas

Site melhor visualizado em 1024x768 pixels - Campinas,

 

DIVÃ

Por Cris Reda
crisreda@liberte.tur.br

Quando tudo não é o bastante

Oi Cris, gostaria de aproveitar sua coluna para desabafar e ao mesmo tempo pedir um conselho. Desde q vim morar em Campinas notei q minha maneira de ser e agir mudou. Antes eu era mais contida e hoje, apesar de ainda ser nova, posso dizer q já “aproveitei” muito. Percebo q não consigo sair sem ficar com alguém. Até mesmo com garotos, apesar de não serem minha preferência. O problema é q isso se tornou uma espécie de vício, e parece q nunca é o bastante. Já namorei algumas vezes, mas no fundo não passaram de boas amigas. Sempre idealizei encontrar a garota certa, mas agora já tenho dúvidas de q isso irá acontecer. Acho q ela até já pode ter aparecido e eu nem percebi pelo simples fato de sempre querer mais...

Tudo bem,pessoal? Estamos aqui de volta,desta vez refletindo um pouco sobre este e-mail que recebi e que com certeza expressa uma angústia de muitos de nós.
Dia desses,num Congresso do qual participei, a palestrante fez uma colocação muito coerente e infelizmente verdadeira de que vivemos hoje a cultura do esquecimento.O que seria isto? Significa que atualmente as informações nos chegam por todos os lados e com tanta rapidez que somos obrigados a esquecer” o que aprendemos anteriormente para termos espaço para as novas informações. Que logo vão estar obsoletas e substituídas por outras. Mais ou menos como os comandos de deletar ou da lixeira” dos nossos computadores.

Tudo bem, não se trata de desvalorizar os avanços tecnológicos e a globalização. Mas, por outro lado, temos também que admitir que toda essa velocidade máxima com que aprendemos e esquecemos sucessivamente nos faz conhecermos as coisas na superficialidade, já que dificilmente teremos tempo para vivenciá-las mais intensamente.

Quantos clientes no consultório se queixam de que o dia deveria ter mais horas ou o mês mais dias para eles poderem correr, correr, correr... atrás do quê mesmo??
E assim essa dinâmica acaba por atingir também os relacionamentos, sejam eles a dois (ou a duas), entre amigos, entre pais e filhos etc. Nós acabamos nos conectando na superficialidade, na pressa, quando dá tempo. E, como o tempo acaba sendo efêmero para cada contato, que então ao menos existam vários, em grande quantidade, para compensar a qualidade que falta.

Contudo isto não significa que todos deixamos de acalentar o mesmo desejo expressado no e-mail – o de encontrarmos nossa “cara metade”. Mas...como a encontrarmos se desconhecemos a nós mesmos?Como saber quem desejamos se muitas vezes não sabemos direito quem somos? Queremos amar alguém mas não amamos muitas vezes a nós mesmos pelo motivo básico de que não nos conhecemos em profundidade, acabamos nos relacionando superficialmente também conosco mesmos. Daí então vamos procurando, ficando, indo atrás, ficando de novo...não se sabe direito com quem.

Além disso há um outro ponto negativo nesta “vida louca vida” (licença ao Cazuza) que levamos. Além do esquecimento, ela nos exige também a perfeição.Temos que ser homens perfeitos, mulheres indefectíveis, pais e filhos imaculados e em tempo recorde!! Vence quem chegar primeiro – e de preferência sem transpirar...

Assim idealizamos ao outro e a nós mesmos e, como ninguém ou nada é perfeito, nunca nos realizamos plenamente, exigindo um outro idealizado que nunca chega...Ou então em nossa indignada imperfeição não nos consideramos merecedores, ainda que inconscientemente, a vivermos um relacionamento com dificuldades mas feliz e profundo...Não, antes que o outro se decepcione comigo eu já coloco um ponto final antes. E continuo ficando,ficando... Não digo que o ficar deixe de ser uma etapa importante da exploração e da descoberta do outro, contanto que isto não seja permanente...

Lembro aqui de um texto lindo da Marina Colasanti chamado .Eu sei mas não devia” onde, dentre outras coisas, ela diz que “a gente se acostuma a não sair, a fechar as cortinas e acender a luz, a pagar mais do que as coisas valem...”,enfim, a tantas coisas através das quais nos escondemos, nos defendemos, nos poupamos e assim, de tanto nos acostumarmos, acabamos nos perdendo de nós mesmos...

Permitindo-me um adendo a estas palavras da Marina, digo que nos acostumamos a sempre ir atrás do amor e da felicidade sem encontrá-los pelo simples fato de que os vemos como ponto de chegada e não como caminho. De que temos direito, ao longo desse caminho, a vários amores e felicidades, no aqui e no agora. Mais ou menos como, em meio a um enorme pomar, eu escolher uma jabuticabeira, subir nela e degustar os frutos sem pressa, sentindo-lhes o verdadeiro sabor, deixando o sumo escorrer e lambuzar tudo. Assim, se não puder conhecer todas as frutas do pomar, ao menos a jabuticaba eu conheci, vivenciei, desfrutei.

Então, corações ansiosos, lembrem-se de que o melhor momento, o maior amor e a mais bela felicidade da sua vida é o AQUI, o AGORA, o MOMENTO PRESENTE. O que passou já foi e o futuro ainda não chegou. Assim, CARPE DIEM, desfrutem o momento presente para depois não ficar com o saudoso gostinho de querer mais o que não se viveu direito!

Beijos da Cris

OBS: Quem quiser o texto da Marina Colasanti na íntegra me escreva e envio por e-mail. Ah! E o título desta coluna é de um lindo livro, só não lembro o autor.

Cris Reda é psicóloga clínica há 15 anos na abordagem junguiana e atende também ao público homossexual (individual, casal e grupos).

* Cris Reda atende na rua Padre Vieira, 422 - Centro - Fone: 19 3232-0416.



Voltar

  Documento sem título

Espaço GLS - diversidade sexual no interior paulista - Copyright Espaço GLS 1999 - 2008 - editor Eduardo Gregori