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DIVÃ

Por Margarete Godoy
atendimentogls@hotmail.com

Você é um ex-gay?

Quero comentar com vocês, sobre mais um tema exibido pelo Programa Super Pop, e para não ser diferente, um assunto, no mínimo polêmico.

A mídia tem difundido alguns assuntos acerca da homossexualidade, em parte acrescentando informações úteis e de esclarecimento, mas, em outros momentos, parece confundir ainda mais a opinião pública.

Sabe-se que democracia é também liberdade de expressão, mas entendo, que tais informações bem que poderiam passar por uma espécie de peneira eletrônica ou até mesmo a de plástico. Já quebraria um galhão!!

Na verdade, um colega me ligou pedindo para assistir ao programa, cujo tema era “Sou ex-gay”, para depois, comentarmos e trocarmos idéias à respeito.

Dois grupos foram colocados frente à frente, ou seja, lado à lado por causa da disposição das câmeras. O primeiro, formado por três gays (dois homens e uma mulher), já saídos do armário e convictos de suas opções e sentimentos; do outro, três ex-gays (também dois homens e uma mulher), que diziam ter encontrado a palavra de Jesus e por conseqüência de Seu chamado, tornaram-se pessoas “normais”.

Um dos facilitadores do debate, além da apresentadora, era um pastor da Igreja Evangélica, absolutamente nada contra a religião, mas fiquei curiosa em entender, qual seria a relação da religião com a sexualidade (ex e atual dos participantes), uma vez que Deus não distingue seus filhos. Todos são iguais sem distinção de credo, cor, classe, raça, religião e sexo. Então a polêmica já não se iniciaria aí? Digamos, porém, que a religião quisesse discutir sobre o assunto. Então, por que não termos representantes de todas as religiões para que não houvesse afirmações ou opiniões tendenciosas? Para que houvesse um equilíbrio em suas manifestações?

Outro aspecto seria a expressão usada pelos “ex-gays”: “... hoje sou uma pessoa normal...” Seguindo a relação antagônica da expressão, ser gay é ser uma pessoa anormal. Bem, então, se eu estivesse presente no debate, certamente lhes perguntaria, qual seria a definição de normal e anormal, sendo que tais conceitos, sempre levantaram muitos questionamentos dentro da própria Psicologia? Enfim... De forma a exemplificar o tema proposto, normal não é a pessoa que deseja, ama e demonstra seu amor ao parceiro? E anormal (aliás, não seria bem esse o termo mais apropriado), aquele que recalca seus desejos e emoções, que não demonstra e não se respeita, nem ao outro, limitando-se deliberadamente?

Em determinado momento, o pastor mencionou que um dia, os gays ainda poderiam reverter suas anomalias sexuais para assim, terem uma vida saudável e compatível com a Sociedade. Sobre o termo “anomalias sexuais”, nem vou entrar nesse assunto, aliás, fiz um breve comentário na coluna anterior (Psicologia X Homossexualidade?), mas o que ele quis dizer com o termo “vida compatível com a Sociedade”? Será que ele quis dizer sobre os valores de uma Sociedade? Ultimamente, em nossa Sociedade fala-se, discute-se muito a questão valores, mas os valores econômicos que cada um possui ou que almeja possuir, e não as bases sólidas que formam a Pessoa, os ideais construídos a partir de sua Educação, Socializações primária (família) e secundária (sociedade), e que formarão parte de sua personalidade, valores que direcionam seu pensamento, seu comportamento em contato consigo e com o Coletivo, o que lhe faz agir sozinho, sem esquecer-se do Todo.

Não que eu queira me ater muito na pessoa do pastor, mas ele realmente marcou presença. Fez uma comparação, na qual, da mesma forma que os homossexuais não respeitam as Leis de Deus, os transgressores não respeitam as Leis de Trânsito, e que essa forma de se amar, entre os iguais, não amadurece jamais. Entendo que em todas as formas de se amar, muitas relações duram para sempre, outras alguns anos, e outras ainda, semanas. Por que apenas a homoafetividade não amadureceria, sendo que cada vez mais, temos conhecimentos de casais que oficializam suas uniões, que adotam crianças, ou apenas, juntam seus trapos?

Nosso grande poeta, escritor e inesquecível Renato Russo já se perguntava: “Que País é esse?”

Estendendo a pergunta, eu diria: Que País é esse sem Educação, Saúde, Prevenção, Orientação, formando cada vez mais, uma Sociedade sem valores, sem respeito, porém, cheia de preconceito e exclusão?

*Margarete Godoy Agostinho, psicóloga clínica e de prevenção, com experiência em Análise Transacional, Comportamental e Bioenergética, voltados ao atendimento GLS.

* Todo material poderá ser copiado na íntegra ou em parte, desde que a fonte seja devidamente mencionada.


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