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DIVÃ

Por Cris Reda
crisreda@liberte.tur.br

É na diversidade que nos tornamos iguais


Ao assumirmos realmente nossas diferenças é que podemos nos colocar em pé de igualdade.

Paradoxal? Nem tanto!

Convido a todos que quiserem a seguirem junto comigo essa linha de raciocínio, relativamente simples em sua teoria, mas cuja prática percebemos bastante caótica...

Somos diversos e temos que ser no que diz respeito à nossa individualidade, que engloba desde nossos traços físicos até nossa personalidade. Nossa existência se abre num fascinante e colorido leque de combinações: negro com olhos claros hétero extrovertido ou loiro com olhos negros homo introvertido e quantas outras milhares de análises combinatórias quisermos fazer...

E como é imprescindível a toda e qualquer auto-estima perceber-se como única, peculiar e diferente de tudo!!! E que bom sermos assim tão diversos, pois é só nesse contexto que podemos mutuamente ensinar e aprender, trocar, contrabalançar, compartilhar, tal a energia que só pode ser originada a partir dos pólos opostos de uma bateria.

Assim somos, opostos e diversos em nos mesmos, por isso mesmo tão especialmente únicos!!!

Infelizmente, muitos acabam confundindo esse sentido de unicidade com o de solidão e cada vez mais distantes de si mesmos, acabam se obrigando a entrar na "homogeneidade" sócio-cultural, vestindo-se e agindo como exige o "sistema".

Não estou aqui dizendo que devemos parar no tempo, obviamente é fundamental nos aprimorarmos sempre, seja no físico, no intelectual, no emocional...

Contamos que nós não precisemos "jogar a nós mesmos fora" e literalmente "travestir-nos de quem nós não somos"...

Quantos casos assim acabam sentando-se à minha frente no consultório, vestidos de crises de pânico, depressão, transtornos de ansiedade, com uma série de doenças que não são apenas orgânicas...

São homossexuais, por exemplo, que não aceitam sua própria diversidade e consequentemente também acabam não sendo suficientemente acolhidos onde vivem...

E, a partir do momento em que eu me assumo diverso, único, diferente como o restante da sociedade também o é, é que eu posso reivindicar e construir meu direito de igualdade como ser humano e cidadão. Com direito ao amor, ao respeito, ao trabalho, à família, à saúde... Aí sim, finalmente a bandeira da não-discriminação pode ser levantada.

Discriminar não significa ser tido como "diferente", mas também é não assumir a própria individualidade, com todas as suas cores, tons, direções sexuais, enfim com todas as diferenças às quais você tem direito para ser igual a todo mundo!

Beijos enormes e até a próxima,

* Cris Reda é psicóloga



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