DIVÃ
Por Margarete
Godoy
atendimentogls@hotmail.com
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Porque os
gays só pensam em sexo?
Eu sou universitário, tenho 24 anos, sou gay, mais tipo eu
tenho uma história diferente de muitos gays, vou contar um pouquinho,
tá? Aos meus 15 anos de idade sem nunca ter beijado uma menina
e também sem me interessar por meninos, meu primo me deu um beijo
na boca. Daí fomos beijando e tal, ficamos beijando por 3 anos
(namorando) era namoro firme sabe, tipo a gente não se traía,
tinha sempre um clima de romance, carinho e tals. A gente transava às
vezes porque a nossa relação era completa, tipo o sexo
não fazia diferença. Tanto fazia ter como não,
entende? Era uma relação “pura”, a gente ficava
só no clima de romance e o sexo não era o carro chefe
do nosso relacionamento. Daí eu mudei pra Campinas aos 20 anos
e me deparei com uma triste realidade e que não me conformo até
hoje. Aqui em Campinas eu percebi que o carro chefe dos relacionamentos
é sexo. Então vai a minha pergunta: Por que gay gosta
tanto de sexo? Será que e porque quando a sociedade pensa em
gay já associa a garoto de programa? Gostaria que você
escrevesse uma coluna sobre essas coisas porque no mundo gay existe
amor eu já amei e fui amado mais porque 98% dos gays só
pensa em sexo?
Um abraço e obrigado.
Resposta
Você conta
que o sexo em sua primeira relação, não fazia tanta
diferença por ser pura e completa, e que foi um namoro firme,
mas atualmente, você está com dificuldades de se relacionar
seriamente, pois vem se deparando com gays que só gostam de sexo,
que só pensam em sexo, sendo para você, uma triste realidade,
e que conseqüentemente, a sociedade já condicionou a homossexualidade
masculinaà prostituição.
Você quer se relacionar, encontrar um parceiro para criar um vínculo
amoroso, mas o sexo se tornou um obstáculo em sua vida, em suas
palavras, “uma triste realidade”.
Vejamos, qual o papel, a função do sexo, em um relacionamento
que esteja apenas se iniciando ou já solidificado?
Auxilia?
Atrapalha? É Indiferente?
Na verdade, completa.
Faz parte do conhecer o outro e conhecer a si próprio. A sexualidade
de um casal passa por diferentes fases, iniciando já na paquera,
no olhar, no abraço, no toque, no beijo, nem que seja apenas
na bochecha. O simples toque de pele com pele, um aperto de mão
por exemplo, tornando-se também responsável pela sua continuidade.
Se nos primeiros contatos (não necessariamente só no sexual),
o tesão não evoluir naturalmente, a relação
não irá adiante. Em muitos envolvimentos, que no início,
o sexo nem é tão intenso e tão satisfatório
assim, em virtude muitas vezes, da ansiedade que envolve o casal, mas
passada essa fase, a tendência é a evolução
natural de todo aquele tesão, que antes era pura tensão.
O sexo é uma forma de contato natural entre todos os Seres. Em
determinadas fases da vida de cada um, assume uma postura mais quantitativa,
já em outras, mais qualitativa. E com o casal também ocorre
dessa forma. O interessante é que cada um tenha conhecimento
de si, e saiba se dosar, respeitando-se e ao parceiro também.
Quando há amor, o físico e o emocional se fundem, se expandem,
se necessitam um ao outro.
Mas, e para você? Que importância o sexo sempre ocupou em
sua vida? Quando se relacionou com seu primo, que importância
o sexo ocupava para vocês? E hoje, qual sua postura diante do
sexo?
Saiba, é interessante ressaltar, que muitas atitudes e posturas
que se toma diante da vida, foi passado, ensinado pelos pais, professores,
colegas, vizinhos, na forma de palavras, ensinamentos, e modelos de
comportamento; portanto, cabe a cada um, analisar e equilibrar o que
se aprende com os valores individuais, que não são ensinados,
e sim formados com a própria experiência de vida.
São os seus padrões de comportamento, o que você
sente, os seus valores. Pense neles, reflita sobre eles, para que se
obtenha uma vida saudável e equilibrada para você.
Conversar, trocar informações, observar seu comportamento
e o do outro, procurar auxílio de um especialista da área,
só irá colaborar nesse processo de auto-conhecimento,
e saiba, a sociedade hoje, com a tecnologia em franca evolução,
além de melhorar, simplificar nossa vida, têm também
diminuído cada vez mais, o contato olho no olho. Mas como tudo
tem seu lado positivo e negativo, perceba o seu lado em de repente fazer
parte de um grupo de gays que pensam e agem de forma compatível
com a sua. É natural fazer parte de um grupo que tem princípios
e valores compatíveis com o seu.
Sugiro que você comece a perceber e a prestar mais atenção,
no que você quer, no que você pensa e nos seus valores,
ao invés de se apegar somente aos valores da Sociedade, por exemplo,
quando mencionou que hoje ser gay é ser garoto de programa, visão
esta, certamente, distorcida, pois, ser garoto de programa, está
associado à outras questões psicossociais muito mais complexas,
e não simplesmente, em ser gay.
As formas de comunicação, como a corporal, verbal, cultural,
entre outras, são maneiras de demonstrar nossos ideais, que nada
mais são, do que os valores de cada um, e refletem diretamente
nas expectativas de vida, no que se deseja, no ideal e no esperado.
O pensamento atrai o comportamento, aliás, um é decorrente
do outro.
São ciclos que se iniciam, se completam, se fecham, e assim,
iniciarem outros. São os processos naturais da vida para que
seja possível o auto-conhecimento. E conforme esses ciclos ocorrem,
passamos a conhecer e a entender melhor os comportamentos do outro,
mesmo que completamente incompatíveis com o seu. Um abraço.
*Margarete Godoy
Agostinho, psicóloga clínica e de prevenção,
com experiência em Análise Transacional, Comportamental
e Bioenergética, voltados ao atendimento GLS.
* Todo material
poderá ser copiado na íntegra ou em parte, desde que a
fonte seja devidamente mencionada.
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