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DIVÃ

Por Cris Reda
crisreda@liberte.tur.br

Outing

Hoje não trouxe nenhum e-mail para começar nossa conversa, mas quero compartilhar um tema que sempre está presente, tanto em meu consultório como fora dele... “Sair do armário”, assumir-se, “outing”, enfim, são vários os termos que no fundo exprimem a mesma coisa, a vivência da própria homossexualidade.

Sim, digo vivência porque ela é a etapa posterior da descoberta. Primeiro descobrimos, despertamos, para só depois integrarmos isto ao nosso dia-a-dia. Entre uma etapa e outra, dependendo de cada um e de cada trajetória, existe uma distância maior ou menor, mais amena ou mais dolorosa. E isto, de acordo com o que vários clientes e amigos vêm me ensinando por todos esses anos, depende de vários fatores: faixa etária, família, temperamento, etc.

Descobrir-se homossexual aos 15 anos e aos 35 anos são situações bem distintas, por exemplo. Tenho clientes de 20 anos que não temem tanto andar de mãos dadas com o(a) namorado(a) e cujas famílias estão aprendendo a conviver com esse namoro, inclusive até saindo juntos... Já outro caso de uma pessoa de 50 anos, ao contrário, mostra a maior resistência de si mesmo e da família em assumir-se, apesar da maior maturidade.

Por outro lado, uma família mais estruturada pode acolher melhor uma pessoa de 37 anos que assumiu, ao passo que é muito difícil a qualquer jovem ser rejeitado por uma família desestruturada ou radical, inclusive em termos de crenças religiosas. É importante frisar que quando me refiro à estrutura familiar, o que a define não é padrão social ou cultural, mas sim a sua dinâmica interna, de relacionamento entre seus membros. Já encontrei famílias economicamente humildes e altamente compreensivas e participativas, enquanto outras, com menos problemas financeiros e mais diplomas, tratavam com vergonha e repúdio a homossexualidade do(a) filho(a).

Todos esses fatores aliados à personalidade de cada um, podem fazer deste caminho para “fora do armário” algo mais ou menos árduo, mas que acima de tudo vale a pena. Pois é mais gratificante nadar um tempo contra a maré para poder viver o que realmente se é, do que sofrer muito mais vivendo contra a própria essência. Destrancar-se deste “armário” de preconceitos, medos e resistências é abrir-se para a própria vida e para um mergulho dentro de si mesmo!


Beijos e até a próxima!


Beijos enormes e até a próxima,

* Cris Reda é psicóloga



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