Aids
 Busca
 Contato
 Dicionário
 Enquetes
 Especiais
 Galeria
 Notícias
 Orkut
 Podcast
 Publicidade
 Quem faz
 Eduardo Gregori
 GLBT XYZ
 César Machia
 Comedere
 Jovens
 Na Língua do Ju
 Memórias de Adão
 Mondo Moda
 Toca de Urso
 TransItália
 Xou do Gongo
 Divã
 Fashionista
 Mr. DJ
 Persona
 Salada Mix
 Cosmo On Line
 CR GLTTB
 Sites GLBT
 Agenda
 Bares
 Boates
 Grupos
 Saunas

Site melhor visualizado em 1024x768 pixels - Campinas,

 

DIVÃ

Por Margarete Godoy
atendimentogls@hotmail.com

Solteiro! Opção ou ocasião?

Esta coluna não está especialmente dirigida aos solteiros, embora seja esse o título. Muitos casados podem também repensar suas relações, ao invés de estarem voltados apenas à rotina do trabalho, do trânsito, do estar casado, da falta de tempo. Estar solteiro é usado aqui, apenas como um estado de espírito!

Vocês já se deram conta, da importância que se tem dado ao "ter"? Que quanto mais, melhor? E que por conseqüência, o "não ter" tem diminuído a tolerância às pequenas frustrações diárias, ocasionando um acúmulo de "coisas" que se guardam para se resolver depois, e que ninguém fala à respeito, nem mesmo toca no assunto?


Todos nós somos providos de mecanismos de defesa; mecanismos estes que servem para nos proteger, de certa forma, dessas frustrações, medos, raivas, inseguranças e outros sentimentos, que quando surgem são abominados a princípio. Tais mecanismos nos mostram caminhos alternativos para lidar com esses sentimentos, mas, como usá-los, se ultimamente o que importa são os grandes acontecimentos, sem se dar conta que grandes acontecimentos, são na verdade, a soma das pequenas coisas, dos momentos diários?

Tenho notado que nessa época, outono/inverno, meus clientes, solteiros e casados, reclamam mais de suas "solteirices". Querem amar mais e melhor, namorar e depois casar de verdade. Percebo, e vocês também, que nessas estações, é natural querer estar abraçadinho, acasalado, ter alguém para dividir o cobertor, até mesmo, porque o corpo pede.

O natural clima de romance solto no ar, que diz isso o tempo todo. É o desejo físico, o querer mandar flores, bilhetes, dizer que ama. Só tem um, porém, esses desejos, na medida em que aumentam, em pensamento, diminuem consideravelmente na prática, tornando crônicas, a falta de afeto, de imaginação, de falar e de ouvir o quanto é bom estar ao seu lado, mesmo nos dias em que nada se comemora. É a velha e conhecida frase, porém mais atual que nunca, daquele que não dá valor quando se tem, mas que entra numa profunda depressão quando se perde, ou melhor, quando deixa ir aos poucos, e até mesmo, quando está sem.

O termo solteirice que uso aqui, significa, tanto estar solitário, como estar só estando casado. A minha experiência no meio GLS, tem me mostrado, que a única diferença entre os relacionamentos, é apenas a preferência pelo sexo; existindo os mesmos questionamentos entre os heterossexuais. Nas relações entre os homens, estar casado é quase sinônimo de raridade, do tipo, segura, senão ele escapa e amanhã já está com outro. É uma contradição, pois há um medo explícito, porém sutil e nada visível, de não ficarem juntos por muito tempo, como se o outro fosse "desaquendar" a qualquer momento, a qualquer fim de semana. Então fica mais fácil apenas "ficar" para não ter que perder. No primeiro contato, o relacionamento, na sua maioria, com exceções, é unicamente físico, e o físico por si só não se consolida, termina na mesma noite ou na manhã seguinte.

Já entre as mulheres, existe também o físico, mas acompanhado do emocional, do tempo para se conhecer, se envolver e se amar. A mulher quer ficar no primeiro dia, no segundo, e nos seguintes, e demonstra esse desejo à parceira. É uma construção diária. Pronto, se casam e vão morar juntas. "A semente nunca está em perigo, lembre-se disso. Que perigo haveria para a semente? Ela está completamente protegida. Mas a planta está sempre em perigo, a planta é muito delicada. A semente é como uma rocha, dura, protegida por uma crosta grossa. Mas a planta precisa enfrentar mil e um perigos. E nem todas as plantas atingirão o estágio em que poderão florescer em mil e uma flores ..."
Osho

Quero que vocês percebam, que em nenhum momento estou dizendo se tais formas de se relacionar estão certas ou erradas. Minha intenção não é julgar, mas apenas demonstrar os caminhos que muitas vezes se escolhe, consciente ou inconscientemente, e que errar ou acertar fazem parte desse percurso e de sua própria escolha. Você escolhe se que ser uma semente ou uma flor, estar sempre protegido ou tornar-se vulnerável.


* Todo material poderá ser copiado na íntegra ou em parte, desde que a fonte seja devidamente mencionada.


Voltar

  Documento sem título

Espaço GLS - diversidade sexual no interior paulista - Copyright Espaço GLS 1999 - 2008 - editor Eduardo Gregori