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DIVÃ
Por Margarete
Godoy
Solteiro! Opção ou ocasião? Esta coluna não está especialmente dirigida aos solteiros, embora seja esse o título. Muitos casados podem também repensar suas relações, ao invés de estarem voltados apenas à rotina do trabalho, do trânsito, do estar casado, da falta de tempo. Estar solteiro é usado aqui, apenas como um estado de espírito! Vocês já se deram conta, da importância que se tem dado ao "ter"? Que quanto mais, melhor? E que por conseqüência, o "não ter" tem diminuído a tolerância às pequenas frustrações diárias, ocasionando um acúmulo de "coisas" que se guardam para se resolver depois, e que ninguém fala à respeito, nem mesmo toca no assunto?
Tenho notado que nessa época, outono/inverno, meus clientes, solteiros e casados, reclamam mais de suas "solteirices". Querem amar mais e melhor, namorar e depois casar de verdade. Percebo, e vocês também, que nessas estações, é natural querer estar abraçadinho, acasalado, ter alguém para dividir o cobertor, até mesmo, porque o corpo pede. O natural clima de romance solto no ar, que diz isso o tempo todo. É o desejo físico, o querer mandar flores, bilhetes, dizer que ama. Só tem um, porém, esses desejos, na medida em que aumentam, em pensamento, diminuem consideravelmente na prática, tornando crônicas, a falta de afeto, de imaginação, de falar e de ouvir o quanto é bom estar ao seu lado, mesmo nos dias em que nada se comemora. É a velha e conhecida frase, porém mais atual que nunca, daquele que não dá valor quando se tem, mas que entra numa profunda depressão quando se perde, ou melhor, quando deixa ir aos poucos, e até mesmo, quando está sem. O termo solteirice que uso aqui, significa, tanto estar solitário, como estar só estando casado. A minha experiência no meio GLS, tem me mostrado, que a única diferença entre os relacionamentos, é apenas a preferência pelo sexo; existindo os mesmos questionamentos entre os heterossexuais. Nas relações entre os homens, estar casado é quase sinônimo de raridade, do tipo, segura, senão ele escapa e amanhã já está com outro. É uma contradição, pois há um medo explícito, porém sutil e nada visível, de não ficarem juntos por muito tempo, como se o outro fosse "desaquendar" a qualquer momento, a qualquer fim de semana. Então fica mais fácil apenas "ficar" para não ter que perder. No primeiro contato, o relacionamento, na sua maioria, com exceções, é unicamente físico, e o físico por si só não se consolida, termina na mesma noite ou na manhã seguinte. Já entre
as mulheres, existe também o físico, mas acompanhado do
emocional, do tempo para se conhecer, se envolver e se amar. A mulher
quer ficar no primeiro dia, no segundo, e nos seguintes, e demonstra
esse desejo à parceira. É uma construção
diária. Pronto, se casam e vão morar juntas. "A semente
nunca está em perigo, lembre-se disso. Que perigo haveria para
a semente? Ela está completamente protegida. Mas a planta está
sempre em perigo, a planta é muito delicada. A semente é
como uma rocha, dura, protegida por uma crosta grossa. Mas a planta
precisa enfrentar mil e um perigos. E nem todas as plantas atingirão
o estágio em que poderão florescer em mil e uma flores
..." Quero que vocês percebam, que em nenhum momento estou dizendo se tais formas de se relacionar estão certas ou erradas. Minha intenção não é julgar, mas apenas demonstrar os caminhos que muitas vezes se escolhe, consciente ou inconscientemente, e que errar ou acertar fazem parte desse percurso e de sua própria escolha. Você escolhe se que ser uma semente ou uma flor, estar sempre protegido ou tornar-se vulnerável.
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