DIVÃ
Por Margarete
Godoy
atendimentogls@hotmail.com
Dúvida
Pensei em escrever
sobre um assunto que é responsável por grande parte dos
meus atendimentos até hoje e, acredito, até sempre, a
dúvida. É este um assunto tão variável,
que se estende desde a cor da roupa a vestir hoje, até com quem
se relacionar.
E por que ela existe? Pelo fato de que não ter dúvidas,
não ter escolhas, a vida fica sem graça, sem cor. Imagine
saber exatamente como será o dia de amanhã?
As escolhas acontecem todos os dias: ir de ônibus ou de metrô,
ao teatro ou ao cinema... coisas corriqueiras mesmo! E escolher um,
significa não escolher o outro. Aí, você tomou uma
decisão. Fantástico!
Mas as dúvidas só envolvem coisas corriqueiras? Entendo
que não! A indecisão e a incerteza são diárias
e, quando surgem, são vistas como o lobo mau da estória.
Quando não se tem a melhor opção, a estrutura interna
entra em crise. Uma crise entre o que se pensa e o que se sente. E saiba,
perturba, causa conflito... Mas quando ela é dividida com alguém
um amigo, um profissional da área da saúde
você passa a entender melhor o que sente e o que pensa.
Dividir os sentimentos é sobretudo necessário, para que
esse lobo mau mude de aspecto. E possa até virar
um cordeirinho.
Como fazer essa escolha?
Aqueles
que dizem estar esperando por uma oportunidade estão sendo enganados,
e não estão enganando mais ninguém, a não
ser eles mesmos. A oportunidade não irá surgir amanhã.
Ela já chegou, sempre esteve presente. Esteve presente mesmo
quando você não estava aqui. A existência é
uma oportunidade; ser é uma oportunidade
Osho
Este pensamento traduz o sentido da escolha, do comportamento. O estar
presente em todos os seus momentos, assumir as suas escolhas até
quando não há um momento, até quando existe apenas
a dúvida diante das oportunidades.
Em minha profissão, percebo que a dificuldade em estar presente,
em perceber-se como diferente do outro, com suas vivências e capacidades
próprias, aumentou. Hoje as pessoas querem estar tão inseridas,
tão aceitas, que a dúvida tornou-se uma constante. Não
é feio ter dúvida. É saudável. Demonstra
que você pensa. Mais do que isso, mostra que você pensa
em você.
Noventa e nove por cento das tomadas de decisões, implicam também
em falar sobre ela, dividir opiniões, idéias novas, experiências.
Só que as pessoas têm se falado menos, se visto menos,
se conhecido menos e duvidado mais, e aí o tempo, ou melhor,
a falta dele, se transforma num segundo lobo mau.
Sexualidade
E a sua sexualidade, já gerou dúvidas? A escolha do parceiro
lhe satisfez? Sexo é desejo, desejo é prazer, e como duvidar
de um sentimento que me é tão próximo, tão
íntimo, tão meu?
Um cliente me disse: ... me relacionei sempre com o sexo oposto
(o esperado por todos) e, de repente, me vejo diante de uma forte atração
por alguém do mesmo sexo, é um erro? Devo esquecer pra
sempre?
Volto a repetir: sexualidade é desejo, é prazer, é
instinto. Não é aprendida. É sentida. Atrair-se
por alguém do mesmo sexo, traz dúvida? Gera conflito?
Você se dá conta de que aprendeu um conceito que se confronta
com o seu Eu. O Eu Inconsciente, que deseja e sente. Você se desestrutura?
Gera crise entre normas e emoções? Sim! Depois você
se estrutura de novo! Ou você pode esconder o conflito embaixo
do tapete e escolher ficar na dúvida para sempre!
Tomar atitudes certas ou erradas geram maturidade.
Maturidade gera crescimento. Crescimento gera vida. Desde aquela pontinha
de dúvida até o gerar vida, você está se
conhecendo, atuando... Falar é uma das melhores formas de crescer
que conheço. Então fale! Então entenda-se! A dúvida
vai lhe ajudar a comportar-se. Comportar-se é agir; agir é
falar; falar é pensar. E não pensar também. É,
sobretudo, experimentar-se. É um ciclo que tem começo,
meio e fim. E ele pode ser plenamente vivido
* Margarete Godoy
Agostinho é psicóloga com experiência em Análise
Transacional, Comportamental e Bioenergética voltados ao atendimento
GLS.
* Todo material poderá
ser copiado na íntegra ou em parte, desde que a fonte seja devidamente
mencionada.
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