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DIVÃ

Por Cris Reda
crisreda@liberte.tur.br

Aos nossos filhos

Recentemente recebi o e-mail abaixo com o seguinte apelo: "Preciso de ajuda, minha ex-esposa não quer deixar eu ver meus filhos porque sou gay e o pai dela até me ameaçou para não ir vê-los. O que eu posso fazer?"

Que pena lermos uma mensagem assim, em pleno século XXI... Numa época de plenas transformações na dinâmica familiar, da desmistificação da família perfeita tipo "comercial de margarina", com papai, mamãe e um casal de filhos loiros de olhos azuis, um e-mail como esse chega a ser realmente um despropósito!

Dia desses, conversando com um psiquiatra, ele sabiamente fez uma colocação que ..."quanto mais avançado o homem está tecnologicamente, mais deprimido e solitário ele fica"... Infelizmente, é uma verdade. Daqui a poucos anos (ou até meses) estaremos ouvindo a notícia da chegada do homem à Marte, ao passo que aqui no planeta Terra as famílias encontram-se cada vez mais desestruturadas ou desestabilizadas: pais "surdos", filhos sem noções de limite, relações fria e distantes.

O que necessitamos com o máximo de urgência, tanto quanto é emergente a cura da AIDS, é nos revermos enquanto pessoas, desestigmatizando aos outros e a nós mesmos, descondicionando nossos papéis de pais, filhos, parceiros, etc.

Se retrocedermos no tempo, lá pela década de 50, o estado civil de uma mulher (casada ou desquitada) condicionava seu valor como mãe, "pior" ou "melhor" de acordo com isso... Assim como o fato de ser branco ou negro, rico ou pobre...

Da mesma forma, a sexualidade nunca determinou caráter de alguém, em especial de um pai ou de uma mãe!... Se assim fosse, o principal requisito para ser uma figura paterna ou materna positiva, seria o fato dessa pessoa ter uma vida sexual constante, diversificada e 100% prazeirosa. Então, que atire a primeira pedra quem a tiver... Alguém se habilita, como a ex-esposa do autor de nosso e-mail? Duvido!
Somos os melhores pais, mães e filhos, irmãos e parceiros que podemos ser, com todas as nossas qualidades e defeitos, independente de nossa raça, condição social ou sexual. O mais importante é transmitirmos aos nossos filhos todo o amor e respeito que gostaríamos tambem de receber...
Por isso, busquem realmente seus direitos, principalmente ao respeito como pai ou mãe!
Casso contrario, corremos o sério risco de vermos o homem chegar à Marte ou a AIDS ser curada e não termos nossa família próxima para compartilhar tudo isso!...
Para finalizar vale a pena lembrar e ouvir, quem puder, uma música linda do Ivan Lins, intitulada "Nossos filhos", (veja um trecho abaixo):

...........................................
"Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço
............................................

E quando colherem as flores,
E quando comerem os frutos,
digam o gosto pra mim..."
................................................

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