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DIVÃ

Por Cris Reda
crisreda@liberte.tur.br

A aurora é agora

Queridos leitores, abaixo como sempre respondo e compartilho aqui com vocês mais um e-mail enviado para mim, sempre preservando a identidade real da pessoa que enviou o mesmo. Aproveito também para informá-los(as) o meu telefone do novo consultório, agora no Centro de Campinas, (19) 3232-0416.


Cris,
Com meus 19p/20anos conheci uma garota que logo de cara eu me apaixonei e a partir dai tudo desmoronou. Apesar de ser correspondida eu fugi deste relacionamento. Achava que estaria cometendo o pior dos pecados e não tinha com quem falar. Fiquei durante 4meses em deprê por sentir uma grande falta dela. Pela primeira vez sentia o tal do amor e é fantástico. Não voltei a vê-la.

Com meus 22 anos resolvi que o mais certo seria o casamento e conheci alguém e casei, é claro que não poderia ter sido o pior caminho e é obvio que não poderia ser o melhor casamento por minha parte era muito difícil as relações sexuais, mas eu insisti por continuar achando o mais certo dentro desta
sociedade.3 anos depois tive meu primeiro filho e fui levando,3anos mais tarde meu segundo filho e o casamento já tinha acabado e a um ano trás conheci alguém, depois de 9 anos de sofrimento. No inicio era realmente uma amizade eu contava tudo e até disse a ela a verdadeira razão do fim deste casamento. Foi então que percebi que já amava com toda a pureza de meu coração e ela também. Foi maravilhoso,mas estava casada ainda e isto foi o fim deste nosso encontro. Por sermos muito corretas nos afastamos e mais uma vez sofro por perder alguém que amo de verdade.


Estou hoje com 32 anos e resolvi dar um basta, pensei em suicídio, mas como sou espiritualista não cometi esta loucura. Então pedi a separação e ele concordou. Continuo a dividir o mesmo teto com ele, por não ter a minha independência financeira. Já estou tentando e vou conseguir e logo estarei melhor.

Ainda penso e só penso nela,Já tem 4 meses que não a vejo, tenho sofrido muito e sei que sofro por consequência de minhas atitudes e escrevo por não saber como agir após a separação,neste mundo que pertenço. Por onde começar? Sempre estive perdida e nunca tive alguém para conversar sobre tudo isto. Só hoje é que tenho coragem de me assumir para mim mesma. Demorei,mas acho melhor assim. Conclui que é mais fácil se assumir do que viver o que vivi e ainda vivo. Espero que com isto possa ajudar outras pessoas. Não fazer tudo de qualquer jeito ,procurara alguém que possa te ouvir e ter a paciencia como sua grande aliada. Espero sua resposta. Não sei se estou agindo corretamente com meu marido e filhos e não sei conseguirei enfrentar minha família,mas sei e é a unica certeza que tenho que nunca amei ninguém da forma que amei.
Um abraço.
Rachel


Rachel,

Dizem que há três coisas na vida que não têm volta: o papel liso depois de amassado, a flecha depois de lançada e a palavra depois de proferida... No mais, tudo é retornável, reciclável, transformável e possível!

Por isso, gostaria em primeiro lugar de lhe agradecer, cujo e-mail nos mostra ao mesmo tempo seu desabafo e uma enorme lição de vida e o qual faço questão de compartilhar com todos vocês!

Parabéns, Rachel, por finalmente você viver quem realmente você é! Não é a toa que "tomei emprestado" seu pseudônimo "aurora" para título de nossa matéria, pois aurora significa luz, nascimento, amanhecer, ocorre a partir do momento em que nos aceitamos e nos respeitamos como somos!

E esse momento pode ser a qualquer hora, inclusive agora, se a gente quiser! Não há obstáculos de idade, raça, religião, direção sexual, nem tampouco importa o que já passou ou o que ainda virá...

A melhor hora para ser você mesmo é agora, a nossa melhor idade é a que estamos vivendo, a melhor forma de viver é experienciando sua própria essência, o maior atalho para a felicidade é amar a si mesmo e quem ou o que você tiver vontade! Enfim, a aurora é agora!!!

Agora é a sua aurora, Rachel e de quem mais quiser começar, trilhar de um modo o seu caminho, reconstruir estradas e pontes após as travessias, por vezes turbulentas, mas que não deixam de nos apontar o caminho, se assim o soubermos vislumbrar.

Afinal, que crise não acaba nos trazendo uma nova criação e que dúvida não nos leva à certeza? Não importa quantas voltas podemos dar, contanto que a chegada seja em nós mesmos...

E às vezes corremos o mundo todo, descobrimos mil coisas, vivemos as mais diversas experiências até admitirmos que no final das contas, o melhor lugar que existe é a nossa casa, nossa natureza, nossa essência verdadeira...
E que melhor exemplo a Rachel pode dar à sociedade e aos seus próprios filhos? Que melhor legado pode haver do que ser sincera consigo mesma e com seus princípios?
Ao contrário do que muitos podem pensar, são pessoas assim que têm muito a ensinar a essa sociedade na qual vivemos, lentamente evoluindo...

A melhor forma de amar a sua e se ela é genuína e não traz prejuízos a si e ao outro, não há erro, não há arrependimento, tampouco passado...
Coloquemos a nós mesmos e nosso amor no tempo presente, nesta aurora que acabou de despontar e nos convida a lutar pelo que somos e queremos!
Uma de nossas ícones, a poetisa Cecília Meirelles, tem um poema que fez ao final de sua vida, uma de suas mais belas produções:

"Tu tens um medo - morrer.
Não vês que morres todo dia,
no medo, na dúvida, no amor, no desejo.
E o que te renovas todo dia,
No medo, na dúvida, no amor, no desejo.
Que és sempre o mesmo
e ao mesmo tempo sempre outro
até não teres mais medo de morrer.
Aí então serás eterno".

Beijos enormes,

Cris

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