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DIVÃ

Por Cris Reda
crisreda@cristianereda.psc.br

Caminhos e direções

Como posso saber se realmente sou lésbica? Passei por várias coisas ruins com homens agora namoro com uma mulher, mas ainda penso no meu ex (falecido) e em uma pessoa idêntica a ele (na aparência) que fiquei algumas vezes, mas o namoro não deu certo por causa da distância moro em SP ele no PI. Todos falam que foi trauma. Preciso de ajuda, quem devo procurar??


Tudo bem, pessoal? Espero que todos estejam OK, depois desse nosso “sumiço” ! Bem, já que estamos na transição entre o final de 2006 e o despertar de 2007, permeada por nossas metas e escolhas, nada melhor do que iniciarmos ajudando esta nossa colega que enviou o e-mail acima.

Calma, o caos sempre vem antes do reequilíbrio... Geralmente precisamos de dúvidas e questionamentos para depois chegarmos a algumas certezas.

No caso específico do e-mail acima, precisamos, antes de tudo, esclarecer alguns pontos fundamentais. Um deles é que ninguém vira gay ou lésbica de uma hora para outra. A homossexualidade, assim como a heterossexualidade, a bissexualidade ou a transsexualidade, são direções sexuais e não meras “opções, como muitos podem pensar.

Não se trata de um estilo de vida deliberadamente escolhido pela pessoa, mesmo porque, se fosse para optar, provavelmente a pessoa não escolheria ser homo ou bissexual devido, inclusive, aos preconceitos e rejeições sociais e familiares a que ainda são submetidos.

Não é nada fácil ter que dissimular sua orientação sexual ou seus relacionamentos frente a determinadas situações, e os homossexuais bem o sabem !

Portanto, não se trata de opção, mas sim de orientação sexual, que faz parte e é inerente ao perfil e à personalidade da pessoa.

Atualmente muito se tem pesquisado acerca das causas biológicas (ou não) da homossexualidade e afins. Independente disso é fundamental vermos qualquer orientação sexual como condição do ser, assim como é seu temperamento, sua estatura, a cor dos seus olhos...

A partir daí chegamos a outro ponto muito importante: nenhum tipo de orientação sexual decorre de traumas! Senão, seríamos simplistas ao afirmarmos que alguém é gay ou lésbica porque está traumatizado” com as relações com o sexo oposto. Esta visão reduziria, de modo errado, a conotação da orientação sexual a algo doentio, conseqüência de algum evento desagradável do passado e, devido a tudo isso, escolhido pela pessoa: Agora vou me relacionar com mulheres porque fracassei com os homens...

Então, a conclusão a que chegamos para a nossa angustiada colega e para todos vocês é que não se trata aí de um caso desta ou daquela orientação sexual, mas sim, do medo de se vincular a alguém, de se relacionar mais profundamente, seja este alguém homem ou mulher.

Vamos ver bem o exemplo que nos colocou nossa colega: ela atualmente namora uma pessoa (no caso, uma mulher) mas ainda pensa em outra pessoa que está longe e com quem não pode se relacionar agora...O que fica claro é que ela está usando seu relacionamento passado (o namorado falecido) ou uma pessoa distante como escudos que a impedem de se aproximar mais de quem está ao seu lado, por medo de frustrar-se novamente...E isso, muitas vezes, é uma atitude inconsciente, que não é percebida no momento em que fazemos.

Então, que tal conscientizar-se dela, para poder transformá-la a seu favor? Presos ao passado ou a situações irrealizáveis, perdemos o que há de mais importante, que são nossas oportunidades presentes, nossas chances de dar a volta por cima!!

Assim, nossa maior preocupação não deve ser apenas a quem dirigimos nosso afeto (homem, mulher ou ambos), mas como o dirigimos, como nos permitimos amar e sermos amados.

É o que eu sempre digo: o ontem já foi, o amanhã não chegou e é apenas o hoje que está em nossas mãos! Por isso, vamos nos despedir do ontem, do anos velho, com tudo o que ele nos ensinou, e vamos nos abrir ao aqui e agora, ao que está por vir, sem medo de ser feliz!!

Desde já, um ótimo final e reinício de ano para todos!
Em 2007 novamente estaremos em nosso divã, aguardando ansiosamente pelas perguntas e sugestões de vocês!!

Reforçando que meu novo e-mail é crisreda@cristianereda.psc.br

Beijos enormes,
Cris

Cris Reda é psicóloga clínica há 15 anos na abordagem junguiana e atende também ao público homossexual (individual, casal e grupos).

* Cris Reda atende na rua Padre Vieira, 422 - Centro - Fone: 19 3232-0416.



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