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COMPORTAMENTO
Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br
Onde estão os
jovens?
No domingo passado (22/08)
fui a uma reunião do Grupo Identidade. Adorei rever
o pessoal do grupo, que é um dos mais atuantes do Brasil
e não cansa de suar a camisa na luta pelos direitos
da nossa comunidade. O tema da reunião girava em torno
dos jovens gays, lésbicas, travestis, transgêneros
e bissexuais. A princípio me interessei em participar
porque gostaria de saber o que pensam os jovens.
Eu tenho 35 anos e na
minha época de adolescente não havia ainda grandes
grupos de defesa dos nossos direitos. Para falar a verdade
não existia nem a Aids. Mas enfim, segui para a reunião
como quem quer beber da fonte da juventude. Quem seriam estes
jovens? O que pensam eles? O que querem do futuro? Mil indagações
na cabeça. Uma vontade imensa de obter respostas.
A reunião foi comandada
por Juliano Silveira. Ativista, jornalista e uma pessoa que
gosto muito. Mas a minha decepção se deu em
constatar que ali não havia uma representação
jovem. Considerando que o jovem tem até 25 anos, a
reunião não tinha mais de 4 pessoas nessa faixa
etária. Do outro lado, os com mais de 25 anos eram
a maioria no encontro.
E ai eu me pergunto. Onde
estão os jovens? Se eles não estão numa
reunião tão importante quanto aquela, onde estariam?
No dia anterior, as boates da cidade estavam lotadas, lotadas
de jovens. Depois da reunião fui ao Sucão e
lá estava lotado de jovens. Mas na reunião apenas
4 jovens.
Que decepção.
Se nem o grupo E-Jovem conseguiu levar jovens para a reunião,
quem seria capaz de fazê-lo?
Será que é
este o futuro da militância GLTTB de Campinas? Sinceramente
espero que não. Os jovens de hoje querem (e têm)
tudo de mão beijada. Muitos deles não sofrem
os preconceitos que nós, de outras gerações
sofremos. Então porque eles lutariam por uma liberdade
de expressão, contra o preconceito? Eles já
tem o caminho quase todo andado. Pra que lutar?
O jovem de hoje está
estudando menos, está ficando longe do intelectualismo
e cada vez mais perto da mediocridade. São todos filhos
da Internet, do videogame e das frivolidades da pista de dança.
Da roupa de marca e do celular com câmera e MP3. Uma
pena. Tiro o chapéu para o Identidade, que promoveu
um debate tão interessante. Mas ficar divagando sobre
a juventude não era o que eu pretendia. Queria mesmo
era saber o que os jovens pensam.
Pra minha surpresa, acho
que eles não têm tempo pra isso. Tempo e nem
vontade. Nem quero saber o que esta geração
da preguiça e do comodismo vai fazer (ou não)
quando chegarem na minha idade.
A juventude de hoje, com
certeza não é a mesma da minha. E eu agradeço
a Deus por isso. Os jovens de hoje estão imitando caranguejos:
andam rápido, só que para trás.
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