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COMPORTAMENTO

Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br

Uma nova geração

Estou numa fase da vida que não curto muito mais sair à noite para baladas. Já tenho tantas atividades ligadas à noite que quando tenho folga, quero mesmo é ficar em casa. Mas numa noite dessas de trabalho, estava numa boate, na qual o público é mais pra jovem do que pra pessoas adultas como eu, e percebi o quanto o efeito negativo da mídia e da dita modernidade está influenciando nossos jovens homossexuais.

O espelho do banheiro era disputado a tapas pelas belas mariposas que queriam saber se o modelão estava no lugar, se a maquiagem não estava derretendo ou se a chapinha não tinha evaporado com o calor da pista de dança. Era um festival de frescuras e frivolidades. Isso sem falar nas drogas: ecstasy, special k, cocaína, etc ( e coloca etc nisso).

O pior é que não era apenas uma ou duas pessoas que se pavoneavam neste trágico e ao mesmo tempo cômico ritual da intitulada noite moderna. Vários modernosos (eles acham que assim o são) empuleiravam-se no pequeno banheiro em busca de uma resposta que só Narciso gostaria de ouvir: "Estou DI-VI-NO". Até as barbies, famosas pela exposição de seus corpos nas medinas noturnas, ficaram para trás.

Em grande parte esta nova realidade do universo gay é culpa da mídia. Opressora como ela só, insere na cabeça das pessoas fracas que o bonito é ser magro, branco e ter cabelo liso. E quem não se encaixa neste perfil fashion e tem cabeça fraca, fica sem comer para emagrecer, faz peeling pra deixar a pele clara, usa lente de contato azul ou verde e para o cabelo ficar liso usa de tudo, até merda, se precisar.

Não que todos os gays sejam frívolos, mas a atitude gay anos atrás era chamada de contra-cultura e cá pra nós é um título bem melhor do que o atual. É um paradoxo, afinal não lutamos contra a cultura machista de nosso país? Muitas vezes acho que grande parte das pessoas que desfilam nas paradas gays o fazem apenas pra desfilar seus jeitos divas decadentes de ser e não para lutar por algum ideal. Tipo assim: "Tô dando pinta e fazendo uma pegação, então tá ótimo!"

A nova geração, pelo menos uma parte dela é isso mesmo. Filhos do video game, do computador, da internet, bate-papo virtual e do glamour (falso, é claro). Vítimas da moda e da mídia, cabeças fracas e alienadas, outdoors ambulantes de grifes. O chique é pagar caro por uma roupa e ainda fazer propaganda de graça usando o próprio corpo. O legal é achar que pra ser moderno precisa se drogar e ter cabelo liso. A moda é imitar Gisele Bündchen e usar a boate como passarela.

Ah, esse mundo moderno! Eu já sou um jovem senhor e confesso que a minha geração é muito mais interessante e mais atuante do que esses meninos de hoje. Já imaginou se Stonewall não tivesse acontecido? Se fosse hoje não aconteceria mais. Os jovens têm preguiça e o pior, tem medo! Lutar pelos direitos deve ser coisa de bicha velha e cafona, afinal de contas não há nada de glamour nisso. Não deve dar ibope o suficiente para aparecer nas colunas sociais de sites GLS.

Somos mariconas sim! E digo que é melhor ser maricona com conteúdo que ser de uma nova geração que só vê na sua frente um espelho pra saber se está bonito ou não.

 

* Eduardo Gregori é jornalista e editor do Espaço GLS


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