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COMPORTAMENTO

Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br

Medo da morte

Desde criança aprendemos (pelo menos a maioria de nós) a temer a morte. O culto ao medo da morte é algo arraigado em nossa cultura católica, a qual nos diz em plenos pulmões que esta é uma vida única e que não há nada além da morte, apenas o céu ou o inferno.
Mas a morte é algo tão distante quando somos jovens e acreditamos que podemos vencer tudo.

Quando vamos envelhecendo o medo da morte começa a ficar um tanto mais próximo, afinal de contas você já passou dos 30, estão chegando os 40 e são poucas as pessoas que vivem até os 80 anos. Ou seja, você já caminhou até o meio do caminho da sua vida. Temos alguns exemplos de algumas pessoas sortudas que estão fazendo hora extra e comemorando 100 anos ou mais. Mas uma coisa é certa: assim que nascemos assinamos um contrato de risco, que é viver, e com tempo indeterminado, mas com a certeza que um dia este contrato será encerrado.

Eu sempre tentei pensar na morte como algo bom, como uma passagem e não como o fim de tudo. Acho que o que mais me prende neste mundo é o trabalho. Eu tenho a sorte de fazer o que gosto e por mais difícil que a vida possa ser em alguns momentos, eu gosto de estar aqui, trabalhar, cantar... enfim me sentir vivo.

Na noite passada tive uma forte dor na mão, dor que subia pelo braço e formigava a ponta dos dedos. Fiquei assustado! Todo mundo diz que um enfarte começa com formigamento na ponta dos dedos. Passei a noite em claro com uma dorzinha me incomodando e de repente me vi pedindo ajuda para Deus. Pedindo por minha vida, pra que eu não morresse naquele momento. Só tenho 35 anos e acho que ainda não fiz a metade do que poderia fazer nesta vida terrena.

Depois do drama me senti meio bobo, mas agradecido. Será que exagerei na dose dramática? Sei lá!!!! Talvez Deus tenha me ouvido e poupado. Quando acordei, já quase início de tarde, me senti aliviado por mais um dia.

Dia 27 deste mês é o Dia do Idoso e eu estou produzindo um a matéria sobre o assunto. Minha amiga das antigas, Sonia (amigas como a Sonia não existem mais no mundo de hoje) foi uma das fontes. Ela é uma mulher com 62 anos e vinda de uma geração na qual as mulheres eram algo menor. Mas ela seguiu em frente, criou os filhos, se divorciou, amou novamente, perdeu o amado e sempre de cabeça de pé seguiu em frente. Então, conversando com Sonia ela me disse que não mais planeja o futuro, vivendo cada dia como único. Aquilo me caiu como uam pedra na cabeça, querendo me dizer o quão burro eu tinha sido na noite passada. Deus tem tantas coisas pra fazer e se ele achar que é minha hora de ir embora, não haverá escândalo que o faça mudar de idéia.

Mas o que aprendi neste dia com Sonia é que não devo temer a morte, mas fazer dos meus dias nesta terra os mais produtivos possíveis, sem me preocupar com a morte que me vigia desde o dia em que um espermatozóide de meu pai se uniu a um óvulo de minha mãe. Amanhã é outro dia e se chegarmos lá aí então continuamos nossa luta.

Então o que estamos fazendo aqui, parados? Vamos à luta!

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