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COMPORTAMENTO

Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br

Natal: Te amo e te odeio

É engraçado como meu sentimento sobre o Natal é ambíguo. Eu odeio e ao mesmo tempo amo o Natal. O ódio é algo que adquiri com a minha família. Natal lá na minha casa, em Belo Horizonte nunca foi algo maravilhoso e muito menos harmonioso. A véspera nunca passou de um jantar antes da meia noite e ao soar das doze baladas, íamos para a sala abrir os presentes e trocar um amarelo Feliz Natal. Sempre achei aquilo tão insosso e tão sem vida que tinha inveja dos filmes nos quais as famílias se reuniam em grandes festas e muito carinho. Coisas de Hollywood! Quando cresci, comprei árvore, bolas e festão e até tentei mudar o clima de casa, trazer meus pais para junto da árvore, do clima de amor que prega a data. Mas nunca consegui isso. A minha família é tão sem graça e vida que parecíamos um bando de zumbis festejando algo que nem nós sabíamos o que era.

Enfim casei e saí de casa. Meu primeiro Natal longe dos meus pais foi um dos mais bonitos que já tive. Os presentes eram apenas um pacote de bombons e uma garrafa de Campari. Eu e meu companheiro brindamos e comemos os bombons. Nossa ceia foi simples, mas tinha sabor de harmonia e carinho e de comunhão de amor. Pela primeira vez senti que podia comemorar o Natal, enfim, como sempre sonhara.

Os anos passaram e meu sentimento de amor pelo natal só crescia. Uma vez, fui convidado pela família de meu companheiro a passar a véspera na casa deles. Foi uma coisa mágica. À meia noite, luz de velas e eu cantando Noite Feliz para uma família que um dia não nos aceitava e de repente todo mundo ali prestando atenção em mim. Como eu amo o Natal!!

Tudo que é bom dura pouco. Depois de 8 anos meu relacionamento acabou e fui morar sozinho. E de repente o natal voltou a ser pra mim uma reunião meio sem sentido. Passei a data em festas, em boates, na casa de pessoas que mal conhecia. Onde estava aquele Natal que eu aprendi a amar? Muita gente acha que Natal é uma data pra se colocar a melhor roupa e encher o bucho de tanto comer.

Natal pra mim é poder compartilhar com outros o pouco ou o muito que se tem. É enxugar lágrimas dos outros, mesmo se não há ninguém para enxugar as suas. Natal é compartilhar o seu pão, o seu vinho e a sua vida com tantos quantos forem preciso. E é continuar isso durante todo o ano.

E foi nesses anos de ódio e amor que vou descobrindo que para o Natal acontecer não é necessário família, companheiro ou amigos. Não que eles não sejam importantes mas o Natal deve ser comemorado dentro de nós mesmos e se cada um realizar o espírito de natal dentro de si, teremos a possibilidade de entender o que um dia Deus nos ensinou e que tenta ensinar até hoje. Para mim, o meu primeiro passo é apaziguar o ódio e deixar fluir o amor dentro do meu coração, das minhas veias e da minha mente e transformar tudo isso em amor... amor por mim mesmo e pelo próximo. E tenho caminhado nesta direção, graças a Deus.

Feliz Natal aos meus leitores

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