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COMPORTAMENTO
Por Eduardo Gregori
editor@espacogls.com
A curvatura da Terra
Eu sempre gostei do espaço sideral. Sou fã incondicional de Star Wars, Galática, Buck Rogers, etc... E não perco um filme que tenha uma navezinha viajando pela imensidão do universo. Lá no fundo é uma visão metafórica pelo que eu sentia quando deixei minha cidade natal há 15 anos atrás. Assim como em Star Wars, eu era um rebelde fugindo de um vilão, lutando contra meu pai, o meu próprio Darth Vader.
Me lançar no espaço foi chegar numa cidade onde não conhecia ninguém nem nada. Era longe, mas era calma, como a imensidão do céu. Nela não tinha que dar satisfação a ninguém sobre a minha vida. Podia ser eu mesmo, podia ser quem realmente eu era.
E em Campinas, no meu espaço sideral eu construí a minha vida. Neste porto espacial e seguro construí a minha fortaleza e nunca olhei para trás. Não queria sofrer nas mãos de Darth Vader. A única diferença com o filme é que ele não me procurava. Me isolei, criei meu próprio mundinho.
Mas é difícil ficar apenas em um porto seguro por tanto tempo. Somos exploradores por natureza. Conheci outras galaxias, outros seres espaciais, outros ritos e mitos. Visitei algumas vezes o meu planeta natal, mas ao menor sinal de perigo eu me tele-transportava por meu mundinho feliz no espaço.
Mais de dois anos sem voltar à minha terra, visitei-a pelo Google Earth. Que saudade das ruas de Belo Horizonte! Ruas que conheço bem pois fui Oficce Boy até os 17 anos de idade. Dez anos sem falar com meu Darth Vader e o intercomunicador toca e ouço a voz dele. Surpresa! Ele resolveu me procurar e não para um confronto, mas para uma nova aproximação. Quinze anos depois, entro no Orkut e meus primos, com quem havia perdido contato desde a minha adolescência, me encontram e me mandam mensagens. 30 anos depois ouço minha mãe dizer ao telefone "Eu te amo, te amo, te amo, muito".
E de repente me dou conta que daqui do espaço, onde estou, já enxergo a curvatura da Terra. Olhando pra ela com saudade, com vontade de voltar ao ventre das Minas Gerais, minha terra natal. Sentimento que não tinha há muito, muito tempo. De repente o meu espaço sideral ficou um tanto frio. Quero me aquecer sob o sol da Serra do Curral, comer um pão de queijo, tomar um café na Praça 7.
Tô com saudade de casa
Chamando nave mãe!
* Eduardo
Gregori é jornalista e editor do Espaço
GLS
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