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COMPORTAMENTO

Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br

Pra que cultivar o rancor?

Você se lembra de alguém com ódio mortal, ou pelo menos tem um certo desconforto quando pensa em alguém que não foi legal com você? Acho difícil alguém passar pela vida sem nenhum atrito ou decepção. No mundo de hoje isso é impossível.

Aliás, não ter as mesmas idéias e opiniões é muito importante, pois faz o mundo girar. Imagine se todos nós tivéssemos o mesmo ponto de vista, os mesmos ideais. Tudo bem, não haveriam guerras, mas também este mundo seria um lugar um tanto quanto chato.

Já brigou intensamente com seu (sua) companheiro (a) e depois fez um dos melhores sexos da sua vida? Imagine se a gente não brigasse? Que tédio seria.

Opiniões opostas movem o mundo pois passamos a vida inteira tentando fazer com que as pessoas aceitem o nosso ponto de vista. Por outro lado as pessoas passam suas vidas fazendo o mesmo, tentando nos mostrar seus pontos. E por aí vai.

O problema do mundo moderno é o rancor. O ser humano é pior que elefante e nunca esquece o que lhe fizeram. De bom a gente não guarda muito na cabeça, mas de ruim... Podem passar anos e anos e continuamos odiando a quem nos fez mal. Tenho lido algumas mensagens em uma lista na qual participo e algumas pessoas deixam claro seus rancores... "Se fulano estiver presente eu não vou!". Não vai? Pois não deveria ir mesmo. Creio que seria melhor ficar em casa masturbando ainda mais o ódio dentro da cabecinha. O problema é que ela pode explodir por causa da falta de espaço.

Eu não vou tirar o meu da reta. Há uns 5 anos, quando tomei um pé na bunda homérico eu fiquei muito rancoroso. Eu estava perdidamente apaixonado e a "putinha" (olha o rancor) do meu namorado fugiu com outro. Passei anos remoendo aquilo na minha cabeça. Se a força do pensamento tivesse força mesmo, o coitado tava seco e na merda (risos). Aquela situação fazia mal apenas para mim e não para ele, que deveria estar lindo no Rio de Janeiro dando seu bom rabo (olha o rancor aí de novo). Então, depois de uns 3 anos resolvi digerir aquilo. Fiz de tudo: rezei, fui no pai de santo e até dei 3 pulinhos. Hoje eu penso nele e não sinto mais nada, nem ódio, nem amor, simplesmente um vazio. Cheguei a esta paz depois que entendi que o rancor só faz mal a quem o cultiva e se libertar dele é o prêmio maior para nossa alma e mente.

Tudo bem, não precisa virar o melhor amigo do seu desafeto, mas esquecer a situação já está de bom tamanho. Receita pra isso? É se policiar e toda vez que sentir vontade de roer a unha ou arrancar os cabelos e pensar na "vaca" (risos), coloca uma música, liga a TV, pega o telefone e vai fofocar com sua melhor amiga. Você verá que com o tempo a sua mente vai sendo treinada a desviar daquele pensamento e por fim ele desaparece. Você pode até encontrar com a "monstra" numa boate ou numa sauninha, mas já terá superado e ainda dará risada do nervo que costumava passar.

Tá dada a receita, agora é só por em prática e dar adeus ao rancor.

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