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COMPORTAMENTO
Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br
Dentro
ou fora do armário?
Fechando
os olhos e respondendo sem pensar, eu diria que estar fora
do armário é muito bom. Toco neste tema porque
conheço uma pessoa muito próxima a mim, que
prefere não sair do armário. Ele acha que eu
não sei que ele é gay, mas tudo bem.
Sair do
armário é uma decisão sem volta. É
o que os ingleses chamam de "Point of no return".
Se viver a sua própria vida traz lá suas delícias,
por outro lado também traz suas dores. Mas a vida é
feita de dor e delícia. Se fosse só um ou só
outro seria uma merda!
Eu decidi
sair do armário aos 18 anos e foi uma decisão
que me orgulho muito. O preço foi alto na época.
Meu pai me expulsou de casa, não tinha emprego e pior,
nenhum apoio ou carinho do resto da família. Eu venho
de uma família que prefere abafar os podres e viver
de uma "imagem" de certinha. Como uma família
feliz e certinha poderia ter um filho gay? A família
certinha tinha um esposa infeliz e submissa e um marido beberrão
e com amantes na rua. Então sufocar a homossexualidade
do filho não seria uma tarefa assim tão difícil.
Fiquei
muito tempo sem ver meus pais e graças as aulas de
inglês que minha madrinha me deu na infância,
comecei a lecionar inglês. As coisas foram engrenando
e logo eu estava na faculdade de jornalismo. Depois veio o
canto e finalmente a minha profissão que já
tem uma duração maravilhosa de 10 anos.
Tá
certo que dá uma puta saudade da vida de casa, daquilo
que você sonha como ideal. Eu sempre sonhei com coisas
ideais e com a segurança de um amor e um emprego. Confesso
que hoje me sinto bem como estou e sem tantos medos. Tenho
pena de meus pais que ficaram parados no tempo e espaço.
Quase 20 anos depois que saí de casa nos falamos, eles
me visitam e me respeitam. Aqui no meu trabalho eu sou feliz
também. Sei que um ou outro solta algum comentário
estúpido, mas isso nunca na minha frente. Acho uma
vitória.
Olho para
este amigo, vinte e poucos anos e com medo. Medo até
de contar pra mim que é gay. É uma pena, pois
acho que encontraria em mim um grande amigo, um amigo mesmo.
Ele até foge de mim quando sabe que vou nessa ou naquela
boate. Claro que mais dia menos dia vamos nos encontrar nas
baladas. Aí, não sei se vou querer mais ser
seu amigo. Acho que vai ser um choque pra ele. Na verdade
eu queria que ele me procurasse e não o contrário,
ou mesmo por acaso.
Hoje em
dia as coisas estão tão mais fáceis.
Os gays invadiram as telenovelas, a parada está nas
ruas e até temos famílias gays com filhos e
tudo mais. Será que vale à pena ficar dentro
do armário? Será que vale a pena viver uma vida
que não é sua? Fingir que tem namorada? Fingir
que é machão? Aliás para assumir é
preciso ser machão. É preciso enfrentar tanta
coisa, que só um macho man de verdade enfrentaria.
Acho que
o armário sufoca. E é preciso não cair
na hipocrisia de entrar num relacionamento heterossexual e
enganar a si mesmo e a companheira. Melhor ficar sozinho e
sofrer sozinho.
Torço
para os que saem do armário. O gosto pode ser amargo,
mas a luz daqui de fora é bem melhor do que a escuridão
lá de dentro.
* Eduardo
Gregori é jornalista e editor do Espaço
GLS
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