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COMPORTAMENTO
Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br
Ditadura anti-gordura
Hoje fiquei sabendo que um amigo querido faleceu. Amigo que
fiz no antigo 145 (alguém lembra?) e que continuou
na internet até que neste ano, mais de 10 anos depois
do nosso primeiro contato, nos conhecemos pessoalmente. Paulo
passou por uma cirurgia de redução do estômago
mas as complicações não deram tempo para
que ele pudesse curtir seu novo corpo, menor e com muito menos
peso... tudo o que ele queria na vida.
É incrível
como a internet pode ter pessoas tão estranhas, mas
também pessoas tão queridas e maravilhosas como
Paulo e eu agradeço a Deus por tê-lo conhecido.
Achei estranho pois ele sempre postava no meu fotolog, ou
estava on line no MSN e por meses nenhum sinal dele. Eu não
me dei conta que poderia ter sido algo tão sério
pois de vez em quando ele sumia, ia para São Paulo
para a manutenção da cirurgia. Mas o tempo foi
passando, passando e eu fiquei preocupado. É estranho
mas parece que de alguma forma ele queria me avisar que tinha
desencarnado pois pela primeira vez pensei em sua morte.
Para minha tristeza recebi
o telefonema de um amigo que me deu a notícia. Liguei
para outro amigo que me confirmou a morte de Paulo. Um silêncio
imenso me invadiu o corpo e eu não sabia o que fazer
ou pensar. Não me deu vontade de chorar, mas me deu
uma saudade imensa. Saudade de nossas conversas, nossas risadas
e nossas promessas de visitar um ao outro. Saudade dói
mais que uma ferida aberta no peito.
Fiquei neste estado letárgico
por algum tempo e resolvi ir trabalhar. No caminho rezei um
Pai Nosso pela alma do meu amigo mas por mais que tentasse
ficar triste, uma alegria me invadia o pensamento. Acho que
era ele tentando me dizer que está bem e que está
feliz onde está. Sorri e chorei.
Eu sou obeso e confesso
que já pensei em passar pela cirurgia de redução
do estômago. Fatalidades como a de Paulo só me
fazem entender que eu tenho que cuidar do meu corpo de outra
maneira e não numa mesa de cirurgia. Me dá raiva
deste mundo que prega corpos esguios ou cheios de músculos.
Quantas pessoas terão
de morrer para que essa ditadura anti-gordura persista? Tudo
bem, não há problemas em querer ser malhado.
Mas oprimir quem não segue este modelo é no
mínimo uma covardia.
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