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COMPORTAMENTO

Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br

Estrelismo pouco é bobagem

Na semana que passou, assisti a um show que me fez pensar e muito. Pensar no quanto o ego das pessoas pode ser perigoso. O artista no palco só faltou dizer que todos estavam lá para adorá-lo, como uma deusa (trocadilho com a música de Rosana é inevitável). "Eu sou o melhor, eu faço e aconteço", dizia a pobre figura no palco. Não que seu trabalho seja ruim. Aliás é bom, mas não vou negar que existam outros tão bons quanto e até melhores.

Me deu pena da figura. Pois quando você é o melhor, ou está entre os melhores, não precisa falar sobre isso. O público reconhece, os críticos reconhecem, o mundo reconhece.

Se auto-denominar "o melhor’ é o resultado de dois caminhos. Primeiro: a pessoa é muito, mas muito pretensiosa e só consegue enxergar o próprio umbigo. Segundo: É uma maneira de encobrir uma grande insegurança e frustração, justamente por não ser o melhor. Alguém já ouviu o ditado de que a melhor defesa é o ataque? Ambos não são caminhos nada saudáveis a percorrer. Em um é o antipático e em outro o frustrado.

Somos estimulados a ser o melhor desde criança. Que bebê que não disputa a atenção da mãe quando há um irmão por perto? Competir é bom, mas só quando a competição é saudável. Mas nos dias de hoje vale tudo pra se dar bem e pra ser o melhor. É o atleta que toma esteróide para correr mais rápido, é a rádio comprada pra tocar mais aquela música, é a venda do corpo pra conseguir um cargo mais alto na empresa. Vale tudo!

Mas será que o "melhor fake" sente o mesmo gosto do melhor verdadeiro? Claro que não. A glória, o amor, a amizade ou qualquer outro sentimento comprado, assim como as coisas que compramos nos shoppings, logo perdem o sentido e são descartados por nós mesmos. Consumo é consumo, não é verdade?

Outro fator também relevante é a questão da consciência. Até aquele indivíduo que não tem nenhum escrúpulo, lá no fundo, no âmago, sabe que toda a imagem que ele esculpiu não é fruto de uma conquista, mas sim de uma armação, de uma "forçação de barra". De sorrisos amarelos e forçados sob os holofotes.

Então pra que fingir que alcançou o topo do mundo? (o tal artista não alcançou mas acha que sim). Como diria uma canção de Andrew Loyd Weber "Não olhe pra baixo pois é uma queda muito, muito longa". E a queda, além de acontecer na frente do público, acontece dentro da mente do "melhor", só que muito mais profunda , sofrida e suicida.

É bom ser o melhor, mas só quando realmente se é.


* Eduardo Gregori é jornalista e editor do Espaço GLS


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