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COMPORTAMENTO

Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br

Será que merecemos tanto?

Outro dia, conversando com meu amigo e também colunista do Espaço GLS, Marcelo Oliveira, questionei à ele sobre se a comunidade GLBT brasileira realmente merece tanto empenho dos grupos de militância. As paradas estão pipocando daqui pra lá e junto com elas uma série de atividades importantes para nossa comunidade. Marcelo me disse que havia ído a um debate em São Paulo e a platéia era formada por apenas 70 pessoas. Será que 70 pessoas representam o universo de gays, lésbicas, travestis, transgêneros e bissexuais de São Paulo? Uma cidade daquele porte?

Na abertura do III Mês da Diversidade Sexual de Campinas, que teve a presença do Prefeito, 100 pessoas participaram do evento. Parece até muito para uma cidade de interior. Mas Campinas é uma cidade que tem à sua volta uma região metropolitana e é a única cidade desta macroregião que tem uma Parada do Orgulho GLBT. Então num universo tão grande, 100 pessoas não representam muito. Para se ter uma idéia, o público que se espalha pelas boates e festas numa noite de sábado em Campinas chega fácil a 3 mil pessoas. Ou seja, 100 pessoas não são nem 10% do universo da comunidade GLBT da região. Festa bomba, eventos importantes não.

Outro fato que decepciona é que as Paradas estão cada vez mais cheias de público, não pelo ato político e social, mas por outros trocentos motivos. É pra se mostrar, pra conseguir um namoro e até pra transar no meio da rua. Na entrega de um prêmio da Associação da Parada GLBT de São Paulo, o público ficou irritado com a cerimônia. Eles queriam mesmo era dançar e assistir ao show. Não que isso seja errado, mas há de se ter respeito.

Então eu questiono se merecemos o empenho das associações, ONGs e grupos de militância que se preocupam tanto em realizar eventos, debates e exposições. Pra que? A maioria do povo só quer mesmo a festa. Me lembra aquele dito popular: "O povo quer pão e circo", e tá ótimo. O pior é que todo mundo depois colhe os frutos de quem deu a cara pra bater. Quem bombou na festa e quem participou dos eventos. Isso me parece desleal.

Ir para a festa é bom, mas e se a festa acabar? O que vai sobrar?
Se hoje podemos processar alguém por preconceito, é fruto da militância, de quem levantou bandeiras e ousou. Então, quando você não souber decidir o que é melhor: ficar em casa assistindo ao DVD da Cher, ou ir em algum evento da Parada da sua cidade, não pense duas vezes. A Cher pode esperar, o fim do preconceito, não!


* Eduardo Gregori é jornalista e editor do Espaço GLS


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