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COMPORTAMENTO
Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br
Onde estão os
shows?
Eu tenho 35 anos. Desde
o meu primeiro contato com o mundo "entendido" (era
assim que os gays eram chamados.. alguém se lembra?)
convivi com shows. Há 20 anos atrás não
existiam as drag queens e nem o bate cabelo. Babra Streisand,
Liza Minelli e Ney Matogrosso eram os ídolos dos transformistas;
artistas que se montavam e dublavam em boates e barzinhos
gays.
Hoje em dia qualquer pessoa
faz show. Se é que você pode chamar bate cabelo
de show. Mas naquela época, os transformistas sabiam
dublar, escolhiam clássicos de seus ídolos e
se esmeravam para parecer com quem dublavam. Naquele tempo
dublar era uma arte.
Os tempos mudaram, os
poucos transformistas que existem, já não têm
tanto destaque e nem o respeito que um dia tiveram. A arte
de dublar ficou tão banalizada que basta ter uma peruca
(nem precisa ser uma boa), um vestido e um saltinho e pronto!!!
Parece que o público não quer mais pensar, engole
tudo que lhe enfiam goela abaixo. Tempos atrás, concursos
de novos talentos eram disputados a tapas... hoje em dia já
virou carne de vaca.... as pessoas vão para rir das
candidatas. E olha que muitas delas nem são caricatas.
Se por um lado ostransfomistas
estão sendo engolidos pela falta de talento, do outro
as boates "mix" ajudam a deletar de vez da memória
do público uma arte que um dia já foi um dos
grandes motivos para sair de casa. Nem as próprias
drag queens percebem que estão sendo descaradamente
colocadas para fora da história dos palcos gays. O
lance agora é ser moderno, ser hype e boate hype não
tem drag.. transformista então... é coisa do
passado.. é cafona!!!!
Campinas trava uma luta.
Casas com shows estão fechando enquanto as casas "mix"
fervilham. Tudo bem que tem gente que não gosta de
shows e até deva existir locais alternativos para quem
não curte show. Mas antes de abrir um estabelecimento,
alguém está fazendo uma pesquisa pra saber se
o público quer show ou não? Acho que seria básico
fazer isso. Tudo bem... você até pode querer
selecionar seu público. Mas posso ser franco? Gay gosta
de ir onde é barato, tem vip e gente bonita.
Outro dia na Double face,
Monique Demon me confessou que ficou quase 1 ano sem fazer
show. Alguém já viu o show desta artista? Monique
é daquelas que se entrega no palco, que gasta oque
não tem para levar sua arte para o público.
Infelizmente, no Brasil artista que é artista mesmo,
faz por tesão e não por dinheiro. Não
há reconhecimento.
Alguém se lembra
do show Animale, criado pela Rúbya Bittencourt? Campinas
viveu novos ares quando Rúbya montou este show que
ficou um mês em cartaz na extinta The Club. Vinha gente
de todo o estado para ver. Rúbya, que na época
morava comigo, não ficou rica, mas realizada. Sabe
porque? Porque ela é uma artista.. porque tem tesão
nas veias...
Recentemente Gilberto
Cunha, da Double Face/Subway está produzindo shows.
Cabaret, que está em cartaz no Subway, tem no elenco
artistas como Géia e Athenna. A tradição
e modernidade se encontrando no mesmo palco. Novamente temos
um sopro de arte no meio gay campineiro. Mas até quando?
Gay também gosta
de arte, de beleza, de garra. Não pense que todo mundo
acha o máximo show de luzes, fumaça, neon e
dark room. Tem gente que gosta de show e show feito por artistas,
feitos pelos transformistas modernos. Que até podem
bater cabelo, mas que têm dentro de si a arte.
E eu pergunto: Onde estão
os shows de Campinas?
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