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COMPORTAMENTO

Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br

Falta de bom senso

Assistindo ao baile Scalla Gay, transmitido na terça-feira de Carnaval pela Rede TV!, fiquei preocupado. Aliás duplamente preocupado. De um lado um bando de gays e travestis querendo aparecer mais que os apresentadores. De outro, apresentadores que exploraram o ridículo que a noite e seus personagens ofereciam.

Até onde vai o bom senso destas pessoas? E para chamar a atenção vale tudo. Peito de fora é coisa básica. Este ano teve travesti que foi até sem a parte de baixo do biquíni, ficando inteiramente nua, coberta apenas por uma meia arrastão e glitter espalhado pelo corpo. E ainda falam que o Scalla Gay é um baile alegre. Que alegria se vê em uma genitália exposta no meio da rua debaixo de trocentos mil holofotes? Pra mim, nenhuma. Será que é assim que vamos ganhar o respeito de uma sociedade que vive em massacrar as mesmas travestis durante um ano inteiro? Será que é expondo o corpo de uma maneira tão grotesca que vamos conquistar respeito? Acho que vamos conquistar é justamente o contrário. Pessoas como estas estragam trabalhos como o de Janaína Lima, que luta pela cidadania das travestis do interior paulista e do Brasil. Mas quando mais se luta para separar a imagem da travesti da criminalidade, mais outras travestis asseguram-se de deixar bem forjada a tal imagem, como algo que colou e que nunca mais vai separar.

Não estou falando para as travestis irem vestidas de freiras, mas pelo menos poderiam ir vestidas como pessoas e pessoas de bem. Sei que muitas o são.

E o pior de tudo isso é ver as travestis caírem como patinhos nas garras dos repórteres do Pânico, programa da Rede TV!. Vesgo e Ceará ridicularizaram todas os personagens que chegavam ao baile. Tentaram até tirar sarro de Rogéria, que esperta como ela só, acabou tirando proveito da situação. Mas o mesmo não aconteceu com outras menos informadas ou desprovidas de cérebro. Será que alguém quer ser lembrado por seer uma aberração da natureza? Foi mais ou menos isso que os dois apresentadores tentaram mostrar para todo o Brasil. E o pior, ainda fazem sucesso com isso. Despreparados, não sabiam nem quem era Lola Batalhão, uma das mais importantes representantes da classe artística nacional. Com razão a artista ficou irritada ao ser chamada de "Leila Boiloão". O pior, ainda foi ameaçada de calçar as tão faladas sandálias da humildade.

Além de todo este desastre, a apresentadora Monique Evans recusava a mostrar travestis peladas ou que falassem palavrão. Tudo isso a despeito de ser proibida por sua religião. Não posso negar que ela nos fez um favor por não mostrar o lado obtuso da comunidade GLTTB. Mas em contrapartida é ridículo ver alguém que já falou tanto palavrão, que já posou nua para revista, tentar passar a imagem de uma santa, o que realmente não é.

E foi esse o Carnaval 2005. Ano que vem tem mais! Mas a luta pra limpar o lixo que os próprios gays e travestis jogam na imagem da comunidade GLTTB continua. Um dia a gente chega lá.

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