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COMPORTAMENTO

Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br

Igualdade para mentes e corpos

Semana passada fui pautado no jornal para escrever uma matéria sobre transexuais. Confesso que nunca pensei mundo no mundo transexual. De longe, sempre achei que transexuais eram gays ou lésbicas que não estavam felizes com seus genitais. Aliás, isso é muito fruto de minha ignorância fundamentada no que a mídia te vende pronto pra consumo. Como bom consumista, a gente acaba comprando sem avaliar muito o que nos é vendido.

Senti um pouco de medo de escrever sobre um assunto o qual teria que me aprofundar sem saber muito. Ora bolas, como eu, um cara antenado em tudo não sabia sobre este assunto? E de repente eu estava com duas transexuais na minha frente e uma psicóloga. Nervossismo.. o que vou escrever sobre estas meninas? A Bruna, que escreve aqui no Espaço GLS é uma pessoa a qual gosto muito, independente de sua orientação sexual e sua condição de transexual. Então há um peso na história. Peso e dúvida: Como escrever algo sobre o qual não se sabe, com uma amiga envolvida, medo de magoá-la se escrever algo errado e passar a história para os leitores do Correio Popular e Diário do Povo de uma maneira o mais verdadeira possível? Quantas dúvidas.

Comecei a entrevista da maneira mais profissional possível. Afinal eu estava ali pra arrancar uma história no mínimo interessante. O tempo foi passando e fui me envolvendo naqueles depoimentos de uma maneira tão intensa que me emocionei. Quando Maria Angélica, a psicóloga que coordena a terapia de um grupo de transexuais em Campinas, começou a falar, sentei e ouvi. Ouvi e ouvi dela coisas que simplesmente fizeram minha ignorância cair por terra. Elas são mulheres! Uma luz acendeu em minha cabecinha burra. São mulheres de mente e alma, mas não de corpo.

Como um pequeno detalhe (um pênis ou uma vagina) pode fazer tanta diferença? Claro que pode e faz. Imagino essas meninas e meninos como se fossem almas aprisionadas dentro de um invólucro que lhes causa tristeza e sofrimento. E se não bastasse o sofrimento interno, passam pela humilhação do preconceito, a incompreensão da família, dos amigos... do mundo.

Sai de lá em choque. Chocado por minha própria ignorância e por ter tomando consciência de tamanho sofrimento. Mas o mais lindo de tudo foi ver no rosto daquelas duas mulheres um sorriso de esperança. Nem mesmo o sofrimento foi capaz de apagar aquela luz e brilho que elas têm.

Passei uma madrugada inteira acordado pensando como escreveria a matéria. Eu queria ser o porta-voz daquela luta. Enfim, me apaixonei pela causa transexual. Eu sei que existem mil detalhes, mas eu entendi a essência: Bruna e Eduarda são duas mulheres e apenas isso. A luta destas meninas é para que possam ser completas: corpo, alma e mente.

E elas vão conseguir! Acho que fiz a minha parte. Nem que tenha sido um grão num mar de areia da ignorância da sociedade, da medicina, de todos nós. Todo ser humano tem o direito a ser feliz e pra mim, Bruna e Eduarda serão, um dia felizes, completamente felizes.

E se você pensa que transexuais são apenas gays e lésbicas com raiva de seus pênis e vaginas, dê uma lida na minha matéria. Se apaixone como eu pela causa delas. Se não se apaixonar, pelo menos tenha mais respeito por elas e por eles.

* Eduardo Gregori é jornalista e editor do Espaço GLS


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