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COMPORTAMENTO
Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br
Vamos
enfrentar o sol ou tampá-lo com a peneira?
Recentemente
fui criticado pela cobertura que fiz da 5ª Parada do
Orgulho LGTTB de Campinas. A crítica se apegou ao número
divulgado pela Polícia; 6 mil pessoas. Segundo a organização,
(aliás nunca recebi um número enviado por eles),
12 mil pessoas comparecem às ruas de Campinas.
Essa crítica me levou a uma reflexão, que aliás
venho discutindo informalmente com alguns membros da própria
organização.
A pergunta
é: Será que Campinas merece um mês
inteiro voltado para a comunidade LGTTB? Até o
momento, a minha resposta e de algumas outras pessoas também
ligadas a organização é, não!
Seria sim, se este evento fosse voltado apenas para a militância,
mas na verdade é para toda a comunidade.
Na abertura
do III Mês da Diversidade Sexual de Campinas, apenas
100 pessoas participaram do evento. Ou seja, menos de 1% de
LGTTBs de Campinas. Se formos computar da Região Metropolitana
de Campinas, aí o 1% vai cair sabe lá pra quanto.
Nas palestras
da III Conferência LGTTB de Campinas, apesar dos nomes
expressivos como Luiz Mott e João Silvério Trevisan,
apenas as lideranças da cidade sentaram-se para ouvir.
A Manifestação
Sáfica contou também com 100 pessoas no centro
da Cidade. E olha que a festa foi super animada, numa tarde
gostosa de sábado e em um local de fácil acesso.
E por
final a parada, que cada ano está ficando mais alegre
e mantendo seu espírito de festa e ato político
contra a discriminação e pelos direitos. Além
do show no final que lotou o largo do Rosário. Mas
enfim, segundo a Polícia Militar e Guarda Municipal
foram 6 mil pessoas.
É
por isso que eu acho que a militância deveria rever
se a comunidade merece mesmo tanto empenho de trazer líderes,
montar exposições. Pra que? Pra satisfazer apenas
os egos de quem faz?
Porque
o público, este só quer festa. Já foi-se
o tempo dos Caras-Pintadas, dos exilados políticos.
Hoje em dia ninguém mais milita por nada. O brasileiro
aceita tudo. O governo aumenta tudo e ninguém sai na
rua pra protestar. Alguém vai às ruas protestar
contra o aumento abusivo do pedágio? Ou dos combustíveis?
Ou das tarifas de água, luz e telefone?
E o mesmo
acontece dentro do nosso universo. Enquanto tiver 2 ou 3 que
militam e que lutam pela causa, para todo o resto está
ótimo. No final a vitória vai ser mesmo colhida
por todos.
Porque
será que alguns grupos estão com problemas finaneiros?
Porque será que o gay não tira 1 Real do bolso
pra ajudar uma ONG que luta pelos direitos da sua própria
comunidade ? Mas
ninguém se importa de pagar 20 Reais pra entrar todo
final de semana na boate da moda. Ou 500 Reais por um par
de tênis que vai dar aquele upgrade no visual?
Vamos
parar de tampar o sol com a peneira. Vivemos em um tempo onde
o povo só quer festa. É colocação,
é pra mostrar o modelão e é pra dar pinta
mesmo. Alguém lembrou que a parada também era
um ato pra gritar contra o preconceito? Ou pelos direitos
civis dos LGTTBs? Creio que só a militância.
o que eu vi de gente bêbada e de bunda de fora se achando
a Globeleza
Vi Janaína
Lima correndo que nem louca pra dar conta do seu trabalho.
Rodrigo Braga coordenando. Paulo Bergsten segurando balões,
Maria Amélia gritando palavras de ordem e segurando
tudo no gogó. Ou seja, todo mundo se esforçou,
trabalhou e muito. mas será que vale à pena
tanto empenho assim?
Vamos
acordar pra realidade e tirar a peneira da nossa frente. A
realidade é nua e crua e doí. Mas é melhor
viver com os pés no chão do que bancar a Alice
no País das Maravilhas e não ter quem pague
as contas no final do mês.
* Eduardo
Gregori é jornalista e editor do Espaço
GLS
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