Site melhor visualizado em 1024x768 pixels - Campinas,

 Aids
 Busca
 Contato
 Dicionário
 Editorial
 Especiais
 Galeria
 Notícias
 Orkut
 Podcast
 Paradas GLBT
 Publicidade
 Quem faz
 GLBT XYZ
 Na Língua do Ju
 Poeteria Crônica
 Antena Ligada
 Cinecittà
 Divã
 Divino
 Fashionista
 Liquidificultura
 Persona
 Salada Mix
 Sopa de Letras
 Xou do Gongo
 Cosmo On Line
 CR GLTTB

 Sites GLBT

 Agenda
 Bares
 Boates
 Grupos
 Saunas

COMPORTAMENTO

Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br

Vamos enfrentar o sol ou tampá-lo com a peneira?

Recentemente fui criticado pela cobertura que fiz da 5ª Parada do Orgulho LGTTB de Campinas. A crítica se apegou ao número divulgado pela Polícia; 6 mil pessoas. Segundo a organização, (aliás nunca recebi um número enviado por eles), 12 mil pessoas comparecem às ruas de Campinas. Essa crítica me levou a uma reflexão, que aliás venho discutindo informalmente com alguns membros da própria organização.

A pergunta é: Será que Campinas merece um mês inteiro voltado para a comunidade LGTTB? Até o momento, a minha resposta e de algumas outras pessoas também ligadas a organização é, não! Seria sim, se este evento fosse voltado apenas para a militância, mas na verdade é para toda a comunidade.

Na abertura do III Mês da Diversidade Sexual de Campinas, apenas 100 pessoas participaram do evento. Ou seja, menos de 1% de LGTTBs de Campinas. Se formos computar da Região Metropolitana de Campinas, aí o 1% vai cair sabe lá pra quanto.

Nas palestras da III Conferência LGTTB de Campinas, apesar dos nomes expressivos como Luiz Mott e João Silvério Trevisan, apenas as lideranças da cidade sentaram-se para ouvir.

A Manifestação Sáfica contou também com 100 pessoas no centro da Cidade. E olha que a festa foi super animada, numa tarde gostosa de sábado e em um local de fácil acesso.

E por final a parada, que cada ano está ficando mais alegre e mantendo seu espírito de festa e ato político contra a discriminação e pelos direitos. Além do show no final que lotou o largo do Rosário. Mas enfim, segundo a Polícia Militar e Guarda Municipal foram 6 mil pessoas.

É por isso que eu acho que a militância deveria rever se a comunidade merece mesmo tanto empenho de trazer líderes, montar exposições. Pra que? Pra satisfazer apenas os egos de quem faz?

Porque o público, este só quer festa. Já foi-se o tempo dos Caras-Pintadas, dos exilados políticos. Hoje em dia ninguém mais milita por nada. O brasileiro aceita tudo. O governo aumenta tudo e ninguém sai na rua pra protestar. Alguém vai às ruas protestar contra o aumento abusivo do pedágio? Ou dos combustíveis? Ou das tarifas de água, luz e telefone?

E o mesmo acontece dentro do nosso universo. Enquanto tiver 2 ou 3 que militam e que lutam pela causa, para todo o resto está ótimo. No final a vitória vai ser mesmo colhida por todos.

Porque será que alguns grupos estão com problemas finaneiros? Porque será que o gay não tira 1 Real do bolso pra ajudar uma ONG que luta pelos direitos da sua própria comunidade ? Mas ninguém se importa de pagar 20 Reais pra entrar todo final de semana na boate da moda. Ou 500 Reais por um par de tênis que vai dar aquele upgrade no visual?

Vamos parar de tampar o sol com a peneira. Vivemos em um tempo onde o povo só quer festa. É colocação, é pra mostrar o modelão e é pra dar pinta mesmo. Alguém lembrou que a parada também era um ato pra gritar contra o preconceito? Ou pelos direitos civis dos LGTTBs? Creio que só a militância. o que eu vi de gente bêbada e de bunda de fora se achando a Globeleza

Vi Janaína Lima correndo que nem louca pra dar conta do seu trabalho. Rodrigo Braga coordenando. Paulo Bergsten segurando balões, Maria Amélia gritando palavras de ordem e segurando tudo no gogó. Ou seja, todo mundo se esforçou, trabalhou e muito. mas será que vale à pena tanto empenho assim?

Vamos acordar pra realidade e tirar a peneira da nossa frente. A realidade é nua e crua e doí. Mas é melhor viver com os pés no chão do que bancar a Alice no País das Maravilhas e não ter quem pague as contas no final do mês.


* Eduardo Gregori é jornalista e editor do Espaço GLS


Voltar

 Espaço GLS - diversidade sexual no interior paulista - Copyright Espaço GLS 1999 - 2008 editor/webmaster Eduardo Gregori