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COMPORTAMENTO
Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br
Ai, que saudade que
dá
Hoje me peguei chorando
enquanto assistia "Os Embalos de Sábado Continuam".
O pior é que o filme não tem nada de triste,
pelo contrário é um musical que fez muito sucesso
nos idos anos 80. Bem, não era um choro de tristeza,
parei pra pensar porque aquilo na televisão me fazia
chorar e a única coisa que me veio à cabeça
foi a saudade. Saudade de quando eu tinha meus 14 e 15 anos,
época na qual o filme passou. Lembrei que eu e meu
amigo de infância, Anderson, até vencemos um
concurso de dança imitando os passos de John
Travolta. É engraçado que quando somos adolescentes,
queremos que o tempo voe para que possamos desfrutar das delícias
do mundo adulto, mas quando provamos os disabores da vida
adulta, a primeira coisa que queremos é voltar à
infância ou
então parar o tempo.
Escrevo esta coluna pensando
nos adolescentes, que ainda não tem muitas responsabilidades
e que fazem o que dá na cabeça. É uma
fase maravilhosa na vida. Lembro que eu ia para a porta das
boates gays fingindo ser adulto para entrar. Óbvio
que nunca conseguia, mas eu tentava. Então o que tenho
a dizer aos jovens é que façam tudo que tenham
vontade, que provem de tudo que sejam plenos. Devemos nos
arrepender apenas de coisas que não fizemos. O que
fizemos, de qualquer maneira foi bom, pois de alguma forma
aprendemos com erros e acertos.
Mas acima de tudo digo aos jovens que não queiram que
o tempo passe na velocidade da luz porque a vida adulta é
tão cheia de responsabilidades e as vezes não
temos tempo para coisas simples como brincadeiras e alegrias.
Então eu me peguei
chorando e isso me despertou para uma coisa da qual eu sempre
ouvia pessoas mais velhas dizer: "Ai que saudade da minha
juventude". E não é que eu me peguei pensando
como um senhor? Pois é, eu tenho 35 anos e já
me sinto um senhor. Penso que daqui a 5 anos serei um quarentão
e é estranho como o tempo voa depois dos 18 anos. As
vezes queria viver para sempre, pois a minha vida é
tão rica em tantos aspectos que seria um desperdício
ter que sentir o corpo definhar e finalmente a morte acontecer.
Talvez eu me saia melhor com isso daqui a algum tempo, pois
aprender é um exercício que nunca termina.
Aquele choro foi na verdade
um a alerta para que eu relaxe e simplesmente tenha tempo
para me divertir, apenas por diversão. Vivemos num
mundo tão rápido e louco que to tempo é
algo cada vez menos disponível. A agenda é algo
que faz parte
do nosso cotidiano e os alarmes soam cada vez mais nos lembrando
de mais compromissos agendados.
Bem... finalizo tentando
dizer que é preciso parar e curtir a vida. Talvez eu
esteja deixando os últimos anos da minha juventude
simplesmente escorrerem pelo ralo. Então, depois do
insight que tive, eu consiga parar e aproveitar, ter minhas
responsabilidades adultas, mas me dar tempo para simplesmente
curtir a vida.
Curtam as suas, pois o
tempo é curto
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