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COMPORTAMENTO

Por Eduardo Gregori
edugregori@uol.com.br

As aparências enganam

Hoje eu literalmente levei um tombo, uma bofetada, um sacolejo dos brabos! Por mais que a gente tente não ter preconceitos ou ser politicamente correto, antes de tudo somos seres humanos e infelizmente, ou felizmente... erramos!

Toda minha cultura acadêmica e jornalística foi para o ralo junto com a minha cara e a minha pose! Mas sabe que eu senti uma alegria com isso? Porque hoje em dia é difícil encontrar situações que te mostram que o importante é ter uma mente aberta para tudo e para todos e NUNCA julgar alguém por sua aparência.

Eu conheci um senhor, há mais ou menos 3 anos mas nunca tinha falado com ele a não ser um “olá” ou um “como vai?”. Mas Deus, ou o destino, ou ainda o acaso, nos coloca em determinadas situações, nos dando a chance de aprender. E não é que sem mais nem menos fui parar na casa dele?

E o tal senhor, de roupas não tão elegantes, com uma barba grande e mal cuidada e um rosto maltratado pelo implacável tempo me convidou para entrar. Ele queria me mostrar sua humilde casa e foi tão gentil comigo que me senti honrado em poder acompanhá-lo pelos cômodos.

A minha maior surpresas ficou para o último dos cômodos. Um quarto cheio de equipamentos de áudio que ele não pensou duas vezes em ligar para me mostrar a qualidade e potência do som. Mas o que mais me impressionou foram os discos, CDs e DVDs cuidadosamente guardados numa prateleira... Clássicos do rock, Jazz, cantores consagrados, gosto refinado! E eu pensei: como alguém tão sem cultura pode gostar de uma música como esta? Que audácia a minha, não? E ele me mostrava mais discos, mais fitas K7, mais DVDs e mais bestificado eu ficava!

Passado o impacto, – eu estava a mil por hora, tentando entender aquele senhor – fomos tomar café e me distraí conversando com sua esposa por algumas horas até que resolvi levantar e ir embora. Mas antes que eu deixasse aquela casinha, que eu já achava simpática, ele me convidou para conhecer suas plantas.

Não consigo nem descrever a tamanha beleza que vi. Flores e folhagens de todos os tipos, bem cuidadas e muito vivas, com folhas em cores vivas, como que exalando frescor. Então ele me disse que recolhia plantas nos lixos, cuidava delas com muito carinho e por isso ficavam tão lindas.

Eu já ia me despedindo quando ele me parou e quis me dar um presente. Olhou para uma orquídea e me deu. Fiquei emocionado, não tive palavras.... abracei-o e disse “obrigado”

A linda orquídea foi apenas um dos vários presentes que recebi naquela noite. Presente daquele senhor e de Deus, que me mostraram tantas coisas lindas e principalmente que me fizeram enxergar que as nossa carcaça, a qual chamamos de corpo, não revela nada além do que uma aparência.

O que importa mesmo é o que está lá dentro de cada um, forjado pelo divino e por nós, em nossa alma.

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