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CINECITTÀ

Por César Povero
cesar_povero@hotmail.com

DÁLIA NEGRA

O Retorno - Há muito tempo que os fãs de Brian De Palma aguardavam pelo seu retorno as telas. Com opiniões bem diferenciadas que ficavam entre o amor e o ódio, teve seu antecessor Femme Fatale, com o desgastado Antonio Banderas e a inexperiente Rebecca Romjin-Stamos, onde Brian chega bem próximo de seus primeiros sucessos como Dublê de Corpo, Vestida para Matar, tramas sensuais, cheias de clichês e de suspense onde o diretor chegou a ser denominado um sucessor de Hitchcock, mas sua consagração veio com Os Intocáveis, um filme nada sensual, nem feminino, uma trama de homens como Eliot Ness e Al Capone. 

Dália Negra / The Black Dahlia - Foi o filme de abertura do Festival do Rio 2006. Refilmagem de Who Is the Black Dahlia? 1975 - e baseado no livro de James Ellroy que foi em parte inspirado no assassinato de Elizabeth Short, uma aspirante a atriz, em 1947. O autor do crime jamais foi descoberto. 
 
Cifras - Exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2006. Dália... teve um orçamento de US$ 50 milhões e alcançou o segundo lugar no ranking dos mais assistidos nos EUA e com uma bilheteria de dez milhões de dólares recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Fotografia. 

O Filme - tem como centro da trama um platônico triângulo amoroso, onde os policiais e ex-boxeadores Josh Hartnett / Dwight "Bucky" Bleichert e Aaron Eckhart / Sargento Leland "Lee" Blanchard vivem divididos harmonicamente por Scarlett Johansson / Kay Lake que passa a viver com o Sargento Leland, a loira não deixa de fazer caras e bocas para o parceiro fiel de seu amante. 

A Retomada - Brian De Palma retoma o gênero clássico como em Os Intocáveis, só que no melhor estilo do filme noir recorre ao tema da decadência humana e da sensualidade melancólica como fez em Dublê de Corpo e Vestida para Matar, apesar de ser baseado em um romance e ter como inspiração um fato real, faz uma boa critica ao falso mundo de ilusão e glamour que envolve as mídias e neste caso o próprio cinema, a película é bela de se ver, com bons momentos, boas atuações e direção, mantém um bom clímax, mas a trama se embola um bom tanto e se revela bem clichê, não satisfazendo assim a grande expectativa. Mesmo assim, em época de vacas magras para boas pedidas, tirando a fase Oscar, é uma boa sugestão já que se encontra disponível em DVD. Para os cinéfilos de plantão que apreciam um clássico, um pouquinho mais ousado e apimentado que os da época. Dália... satisfaz os olhos e entretém os apaixonados por um suspense clássico, agradando sem arrancar suspiros .  

No elenco... - Josh Hartnett - parece ter pela primeira vez um personagem mais adulto e maduro e num contexto equivalente, no melhor estilo Humphrey Bogart, derrama certo charme de policial solitário, apesar de dramaticamente já ter tido melhores performances, Josh diferencia-se pelo gênero do filme e com direitos a muitos e muitos cigarros. 

Scarlett Johansson - deixa saudades do cult - Encontros e Desencontros / Lost in Translation de Sophia Copollae do vibrante Match Point de Woody Allen. Scarlet como Kay Lake, fica perdida entre mocinha e vilã, causando pequenas suspeitas, perde-se entre apaixonada e fiel, entre atuação boa ou fraca. 

Hilary Swank / Madeleine Linscott – faz a femme fatale da trama, num estilo Rita Hayworth, apesar de não ser um personagem de muitas oportunidades, faz algo bem diferente de suas performances oscarizadas, a lésbica de Meninos Não Choram e a boxeadora de Menina de Ouro, dessa vez expõe beleza e sensualidade como nunca, com boas doses de cinismo e ares de maldade. 

Cinema Noir - Provavelmente o desempenho dos atores seja abalado pela atmosfera do Cinema Noir, onde os personagens sempre são um tanto afetados e sofridos psicologicamente, ao mesmo tempo em que são boçais, característica típica dos grandes clássicos, mas que transpostos para a época e para atores atuais, talvez não fiquem tão convincentes, porém faz parte do charme, afinal toda nostalgia é romântica e soa piegas para nossos dias em qualquer tipo de manifestação artística.  

O que é Cinema Noir? - Até o inicio de 1930, os longas-metragens policiais eram bem claros, o bandido era o estereótipo máximo do vilão, enquanto que o mocinho era bonzinho e inocente. O Filme Noir procurava focar e exteriorizar o lado psicológico deste duelo. Saber quem era honesto? Era um desafio, ou seja, o bonzinho poderia ser tão corrupto, sinistro e dissimulado quanto o malvado. O objetivo do gênero era explorar o filão policial através de seu lado mais complicado - o psíquico.  . 

Estrelando - Josh Hartnett, Scarlett Johansson, Hilary Swank, Aaron Eckhart, Mia Kirshner, William Finley, John Kavanagh.

Direção - Brian De Palma

Produção - Rudy Cohen, Moshe Diamant, Art Linson.

Filmografia de Brian De Palma

Dália Negra – 2006, Femme Fatale - 2002, Missão Marte – 2000, Olhos de Serpente - 1998, Missão Impossível - 1996, O Pagamento Final - 1993, Síndrome de Caim - 1992, A Fogueira das Vaidades - 1990, Pecados de Guerra - 1989, Os Intocáveis - 1987, Quem Tudo Quer, Tudo Perde - 1986, Dublê de Corpo -1984, Scarface - 1983, Um Tiro na Noite - 1981, Vestida Para Matar - 1980, Terapia de Doidos – 1979, A Fúria – 1978, Carrie, a Estranha – 1976, Trágica Obsessão – 1976, O Fantasma do Paraíso – 1974, Irmãs Diabólicas – 1973, O Homem de Duas Vidas – 1972, Dionysus – 1970, Hi, Mom - 1970, Festa de Casamento – 1969, Quem Anda Cantando Nossas Mulheres – 1968, Murder a la Mod – 1968, The Responsive Eye – 1966, Show Me a Strong Town and I'll Show You a Strong Bank – 1966, Bridge That Gap – 1965, Jennifer – 1964, Wotans Wake – 1962, 660124 The Story of an IBM Card – 1961, Icarus –1960.  
 

 

 

 

* César Póvero é ator, dramaturgo, roteirista - cursando rádio, TV e Multimídia


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