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CENA
Por Juliano
Silveira
intongue@yahoo.com.br
Gente,
se toca né?
Por estes
dias dei uma olhada no Fórum,
link de discussão sobre assuntos da comunidade GLTTB,
aqui mesmo no Espaço
GLS e fiquei pasmado com a seguinte discussão:
Insano X Loungedeluxe: simplesmente uma gongação
dos DJs de cada casa, tipo um é melhor que o outro,
um é pior que o outro, enfim...Baixaria de primeira.
Fiquei
pensando nas pessoas que freqüentam cada casa, respectivamente
diferentes, e por isso, únicas em seus propósitos.
Mas será que esta discussão é de fato
pertinente, daqueles que freqüentam, entendem e prestigiam,
ou simplesmente pessoal, por status, daqueles que se sentem
bacanas na noite? Achei descabida toda a discussão,
simplesmente pelo desrespeito aos profissionais que trabalham
na noite. No caso, os DJs.
Reclamar
do som da casa é de direito de todos os freqüentadores.
Estamos numa democracia, como se justificou alguém
na lista de discussão, mas será que esta democracia
é feita de argumentos ofensivos, pejorativos, argumentos
estes que se proliferam cada dia mais, sem pé, nem
cabeça. Tipo sou bacana, descolado, legal, gongo quem
eu quiser mesmo e daí?
Gente,
se toca, né?
As casas
de Campinas são únicas e específicas.
Muita gente de São Paulo vem pra cá. É
ilusão pensar que a noite gay paulistana é diferente,
é exclusiva, é badalada...Campinas não
fica muito atrás não. O que toca aqui toca lá,
o povo que está aqui, está lá também.
O carão é o mesmo, a ferveção
é a mesma. Afinal, boate gay é boate gay em
qualquer lugar do mundo.
Ofender
determinado DJ não está com nada, ainda mais,
quando este mesmo DJ é um dos grandes profissionais
da noite gay campineira. Seu profissionalismo e conhecimento
musical são plenos, assim como de muitos outros. Alguém
já parou para pensar que o que se toca na pista é
o que o publico quer ouvir? Alguém já viu um
profissional tocar o que quer tocar, mostrar seu estilo sem
que o povo na pista faça cara de entojo? Basta lembrar
recentemente que hits escrabosos como Try On My On
ou Toxic fizeram a cabeça de muita gente
na pista e ao mesmo tempo, foram a dor de cabeça de
muitos DJ´s nas cabines. Tipo aquelas bills desesperadas
só no Toca Britney, Toca Whitney!!!. Gente
se toca, né? E dá-lhe paciência para os
coitados na cabine. E se não tocar, a bill de desesperada
fica possessa e reclama com a gerência da casa, gonga
o DJ para todos, dizendo que o cara é um mal profissional,
que o som dele é horrível e por aí vai.
A década
de 90 foi a década que colocou o DJ como estrela máxima
da noite. Tudo gira em torno dele, mas não para ele.
Dá-se a impressão que a noite é feita
por ele, mas não é bem assim que acontece. Muitos
não sabem, mas o som de uma pista hoje se dá
a partir do público que a freqüenta. E estar em
uma pista significa concordar com tudo o que ali rola. Significa
inclusive, concordar com as pessoas que ali estão e
principalmente com o estilo de som que é proposto.
O público
gay hoje não se encontra mais ávido de novidades.
Está disposto apenas a se divertir, independente de
uma proposta específica seja x ou y. O conceito ficou
para trás e todos preferem assimilar o óbvio.
Música eletrônica hoje é de acesso infinito
a qualquer ser na terra. Não temos mais aquele frescor,
aquela novidadeira toda que nos fazia parar na pista com um
grande ponto de interrogação na cabeça,
tipo o que é isso que está tocando???
Novidade
hoje não faz mais a cabeça de ninguém,
e não sejamos ingênuos: a pista tem que bombar,
o público tem que dançar, ficar com sede, consumir
bastante e gerar muito lucro...
Gente,
se toca, né? Sem essa ingenuidade de pensar que o som
de um é melhor que o outro. No mundo globalizado em
que vivemos, só fica sem novidade quem quer. E podem
apostar que tanto o César, Diógenes, Tatoo,
Mauricio, Julinho, Ricardo, Dudu e demais tem uma estética
e senso musicais bem apurados. Mas cá entre nós,
conceito musical não funciona muito nas pistas de hoje...
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