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CENA
Por Juliano
Silveira
intongue@yahoo.com.br
Viva
a Noite!
Uma coisa
é fato: gays adoram a vida noturna. Sair, dançar,
beber, encontrar os amigos, ensaiar um bom carão e
é claro, caçar. Se alguém duvida, que
vá até a porta de qualquer boate gay da cidade
num final de semana. Com certeza irá encontrar gente
animada, fervida e filas e mais filas.
Muitos
levam a noite gay numa boa, como forma de diversão
desencanada. Por exemplo, dificilmente em um espaço
hetero você irá dançar como dança
num espaço gay, sem ser notado ou simplesmente caçar
sem correr o risco de cair num grande equivoco. Assim, muitos
gays encaram a noite como um espaço neutro para exercer
sua homossexualidade. Isto é, poder "sair do armário",
fazer o que quiser fazer sem grandes problemas quanto à
mácula de sua masculinidade ou ainda, caçar
outros homens, fazer a linha "banheirão"
ou simplesmente abrir o dark-room no início da noite
e só sair de lá quando o dia já está
para nascer.
Tanto
para o gay que exerce sua homossexualidade de forma plena,
quanto para o gay que camufla a sua homossexualidade - os
famosos enrustidos - a noite funciona como forma de convívio,
como meio de agregar sentimentos e expectativas comuns. Como
isso funciona? Funciona de forma democrática no sentido
de estar aberta a tudo e a todos, de pregar a liberdade, mesmo
que seja pautada por elementos que não são de
fato reais, como por exemplo, a magia e o glamour estabelecidos
pela noite. Ninguém pode negar que num espaço
assim, podemos ser o que quisermos ser, podemos falar o que
quisermos falar e além de tudo, estamos juntos, mesmo
que às vezes não pareça, aos que passam
pelas mesmas questões, dificuldades e anseios de ser
gay em uma sociedade plenamente machista, preconceituosa e
classista como a nossa.
Em casos
mais concretos, para se medir a forma com que a homossexualidade
está diretamente relacionada à noite, basta
levantar alguns signos representativos ou até fenômenos
como por exemplo, a drag-queen, que no Brasil explodiu para
o mainstreen a partir das baladas gays dos anos noventa, ou
ainda todo um segmento clubber, além da música
- a house music é originária de boates plenamente
gays norte-americanas como "Garage" e "Paradise",
de Nova Iorque. Isso sem falar da moda/modismos, dialetos,
entre outros. Assim, conclui-se que a noite gay tem seus códigos
próprios que são assimilados não só
por seu público específico, mas também
por um público geral, ávido por novidades e
experimentações.
Apesar
de exercer em alguns casos um caráter de segmentação
- nem todos os espaços são acessíveis
a todos - a noite gay é importante no sentido de desmistificar
o gueto e fortalecer todo o segmento. Hoje, nem só
de gays é feita nossa balada. Há heteros, os
famosos "s" da sigla datada GLS que freqüentam
nossos espaços numa boa.
Mesmo
que no dia seguinte, voltemos a nossa vidinha comum, é
importante saber que existe um espaço aberto para nós,
para que possamos ser o que somos, sem nos preocuparmos com
o que os vizinhos irão falar. E já que para
a grande maioria o gay é fervido por natureza, animado
e topa qualquer parada, assumimos assim a nossa vocação
sem culpa nenhuma. E como diziam num antigo programa de televisão:
"Viva a Noite!Viva!Viva!Viva!"
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