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CENA
Por Juliano Silveira
julianocts@yahoo.com.br
O dilema do primeiro encontro:
como passar por ele, linda!
Enfim o telefonema: aquele bofe tudo-de-bom que você conheceu na boate ontem a noite te liga. Papo vai, papo vem e chega a proposta: “Vamos nos ver?”. Sim, claro, afinal, você se recorda em meio a flash-back devido a sua bebedeira que ele é interessante, beija bem, tem aquela pegada, dentre outras coisas. E é sincero, pois pediu seu telefone, disse que ia ligar e ligou! Convenhamos: essa atitude nos dias de hoje é algo cada vez mais raro. Aí você pensa: “Por que não?”.
O primeiro encontro é sempre um dilema. Duas pessoas que não se conhecem, uma tentando impressionar a outra. O primeiro encontro é quase uma fantasia. Sedução é a alma do negócio e ser você mesmo logo de cara nem sempre funciona. Há necessidade de um certo ar de mistério, esta é a verdade. Não que você tenha que mentir, ser falso ou coisa parecida. Já que todo mundo quer impressionar, impressione também, pois é preciso. Omissão neste caso não é pecado, desde que não comprometa ambas as partes.
Independente de onde tenham se conhecido, é interessante procurar saber o que ficou transparecido no momento em que ficaram juntos pela primeira vez: sexo, amizade, sacanagem, enfim, o que pode se esperar desta situação. Fim de noite em boate é sempre uma surpresa e de repente, aquele bofe que você agarrou durante horas no dark-room nem sempre é um pretê interessante para um futuro relacionamento, já que seus desejos foram realizados ali mesmo, em meio a muitos outros presentes, pois o objetivo foi uma satisfação imediata, digamos. Aí, não adianta forçar a barra, deste que seja interesse de ambos marcarem algo para quem sabe, conversar a respeito de quem ficou com a cueca de quem. Aí é bom estar preparado para um simples chá com torradas e até mais ver!, ou, quem sabe, a possibilidade de um futuro relacionamento, um namoro.
Alguns cuidados básicos nunca são demais. Qualquer gafe, a carruagem pode virar abóbora muito antes da meia-noite e você vai voltar a pé e sozinho para o castelo da princesa. Se foi proposto um encontro entre os dois e você está a fim, não queira se passar por difícil. Se o seu caderninho de dança está vazio a meses, aceite a data proposta que seja interessante para os dois. Mas não dê uma de desocupada, finja conferir uma data na agenda e negocie o horário para não parecer tão fácil e acessível. As vezes é bom se valorizar.
Onde e quando?
O local é absolutamente importante. Não queira um jantar a luz de velas, pois ainda não é o momento. Escolha um local onde possam conversar e estar a vontade um com o outro. Isso não quer dizer que um motel seja o local ideal e muito menos o dark-room onde vocês se agarraram. Bares gays em dias e horários não badalados são uma boa pedida. Se o encontro for marcado durante o dia, escolha um lugar neutro. Um bar aberto, quem sabe. Ou até mesmo um shopping. Caso não role nada entre os dois, você tem a possibilidade de afogar suas mágoas em compras. Não existe nada mais terapêutico.
Com que roupa?
A preparação dever ser completa: barba, cabelo, modelão e “chuca” - nunca se sabe onde o papo vai terminar...É necessária muita atenção no visual. Neste caso, já se passou a primeira impressão, pois o interesse já foi despertado e de uma forma ou de outra, ele deve ter uma lembrança muito positiva a seu respeito. E vice-versa. A segunda impressão é a que verdadeiramente irá ficar, já que não haverá fumaça, estrobo ou luzes piscando lisergicamente daqui e dali. O foco de toda atenção será simplesmente VOCÊ. Aposte no básico, no casual, sem comprometimentos. De repente, uma cor, um detalhe que seja poderá desviar a atenção dele. Deixe no guarda-roupa aquela baby-look fúccia e também aquela calça justa que você tem que deitar na cama para que a mesma seja colocada no seu esbelto corpinho. Mais de um botão aberto na camisa não é sexy, mas sim, baixaria.
Britânica
Pontualidade é preciso. Chegue exatamente no horário em que foi combinado o encontro. Se você é daqueles que se atrasam por natureza, comece a se montar com horas de antecedência. Caso se atrase, peça desculpas e se justifique: furou o pneu do carro, perdeu o ônibus, a base compacta acabou, etc. Se ele se atrasar, mostre-se interessado pelo motivo do atraso, mas não fique de bico. É o primeiro encontro, ok?
Heleninha
Cuidado com a bebida. De repente, num estado de ansiedade, o álcool pode ser uma recorrência para se sentir mais a vontade. Não funciona. Há o risco da bebedeira e da língua que não vai parar mais de falar. Segure a onda, mesmo que ele o tenha conhecido num estado de colocação avançada. Mostre que você não faz parte do A . A .
Boca-a-boca
Por falar em língua, falar demais dá uma péssima impressão de descontrole. Ar de superioridade também é uma atitude péssima. O encontro é dos dois e não queira assustar a figura. Lágrimas são desnecessárias, pelo menos neste momento. Guarde-as para o momento em que receber o chuveiro de diamantes após o pedido de casamento. Alguns assuntos básicos devem ser discutidos, como profissão, gostos pessoais, objetivos, etc. Tudo de maneira muito natural, sem roteiro algum. Um assunto em comum pode e deve ser discutido à exaustão, mas isso não significa que o encontro deve girar em torno desta afinidade. Saiba quando mudar de assunto na hora certa.
Ao surgir o assunto “relacionamento amoroso”, cuidado: não relate na integra suas aventuras e namoros passados, pois de repente, não é interesse do outro saber o que você fazia na cama com seu ex-namorado. Comparações são péssimas. Seja discreto e nunca fale mau de um relacionamento passado. Exteriorização de mágoas poderá ser um sinal de que você é uma pessoa cheia de complexos e mal resolvida. Deixe isso para seu terapeuta. Nesse momento, tamanho do documento também não importa, quem comia quem e muito menos aquela sua fantasia de sexo bizarro. Caso haja curiosidade, seja sucinto e fique a vontade em não querer responder certas perguntas, pois você não é obrigado.
Não se empolgue em um assunto, pois poderá imaginar e idealizar coisas além da conta. Viajar na maionese, como dizem...Mentira tem perna curta e fantasiar situações é sempre algo muito complicado. No futuro, você poderá cair em contradição e como justificar o iate que você disse que tinha e não tem? Assim como você presta atenção ao que lhe dizem, as pessoas também prestam atenção a tudo o que você diz, mas se verificar um assunto e perceber que dá para aumentar um pouquinho para dar um charme, se jogue. Mas cuidado, nada de grandes cruzadas. Impressionar é preciso, mas a loucura tem limite.
A conta, por favor?!
Papo vai, papo vem, olhares sugestivos e uma grande satisfação interior. Você pensa: “Minha performance foi ótima”. De repente vocês percebem que foram feitos um para o outro. Hora de agilizar e cair fora. Chega a conta. Não fique com cara de paisagem. Vamos dividir, ok? Caso ele queira pagar, não o questione, mas deixe claro que da próxima vez, quem paga é você.
Tchau?
Hora de ir embora. Na sua cama ou na dele? Tanto faz, não importa. Sexo no primeiro encontro é bacana e permitido, mas até que ponto vale a pena assim, logo de cara? Um certo ar de mistério é absolutamente aceito, mas como ninguém é de ferro e você não está a fim de segurar a periquita, se jogue. E com camisinha!!!
E o dia seguinte?
O dia seguinte depende dos dois. Se tiver vontade de ligar, ligue muitas vezes e sem pudor algum. O futuro pertencerá aos dois para que se faça de todo encontro sempre o primeiro encontro. Boa sorte!!!
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